30 de junho de 2006

Julho:aniversário do Indigesto

No mês de julho,mais conhecido como a partir de amanhã, o Indigesto faz um ano de vida,que coisa fofa! Como os editores são todos sem noção, nem ao menos se conhecem pessoalmente, abandonam o blog por mais de um mês assim... Sem novidades, nem uma foto,nem uma piadinha infame,nada...Eu como a representante feminina do trio pelo menos, neste mês, me encarregarei de mudar um pouco esta história:no mínimo um post por semana.Pode ser que apareçam 2 ou 3 posts numa semana e nada na seguinte, mas o mês não passará em branco.Isto é apenas um teaser do que está para aparecer nesse blog, abandonado, empoeirado e cheio de teias de aranha (o clipe de Lullaby do Cure perde de longe na quantidade de teias). Já que fui completamente ignorada pelos meus companheiros indigestos começo sozinha para ver se eles se animam.

Começando a brincadeira... hoje enquanto vinha para o trabalho comecei a pensar que a vida sem música fica cinza. Por experiência própria digo que quando eu ouvia música todo dia eu era mais feliz.A minha relação com música tem sido olhar meus CDs e ouvir algum pela metade,nunca pensei que chegaria a este ponto.No trabalho a situação é desastrosa tenho de ouvir os ruídos que vem da sala ao lado da que trabalho que são puro, puro jabá. A galera escuta uma rádio que não faço questão de saber qual é,mas já notei que todo dia, nos mesmos horários tocam as mesmas músicas- se é que dá para chamar aquilo de música- ...quando Deus te desenhou..., não sei o que lá você chora... Sem falar no ecletismo do dono da empresa que pira ouvindo samba- às vezes o mesmo CD a semana inteira- salsa, jazz e até Jimi Hendrix e U2 já invadiram o ambiente. Não sei o que é pior ouvir isso ou ouvir nada.
Há uns bons meses atrás eu era torturada por Take on me do A-HA que chegou a tocar durante 3 horas,ininterruptas no trabalho e a simpatia pela musiquinha da minha pré-adolescência foi para o saco! Isso acontecia porque uns engenheiros malucos faziam testes em aparelhos de som então colocavam um CD com uma música no repeat.
Lá pelas 5 horas da tarde um senhor,que trabalhava no mesmo departamento, ouvia quase que religiosamente Dancing Queen do ABBA.
Apesar disso, era divertido porque existia um rádio que era para trabalho, mas claro que era usado a maior parte do dia para ouvir alguma emissora possível de se escutar como a Kiss e a Eldorado FM. Agora tudo o que tenho são as músicas esdrúxulas dos outros e um computador que não tem saída de áudio, que lástima! Estou sonhando com meu MP3 player.


Dia 3 de julho tem homenagem a Mark Sandman.

18 de maio de 2006

Atrasado,mas ainda vivo:Echo and the Bunnymen em SP


Don´t forget the songs that made you cry,and the songs that saved your life
Rubber Ring- The Smiths


Última parada: Echo and the Bunnymen,no Credicard Hall.Atraso de 40 minutos, gente perdida, estranha, aventureira,fã,tiozões e tiazinhas,crianças com menos de 20 anos. Todos num Credicard Hall com pista reduzida e a melhor acústica que pude presenciar nesses últimos 6 anos de shows vistos na casa.
Sim,a pista estava reduzida.Nunca o Credicard ficou tão pequeno,o camarote cresceu. Uma galera que tinha comprado ingresso para as cadeiras superiores para o show cancelado,em março, foi transferida para a pista:negócio da China!
Eu estava completamente sem expectativas. Já tinha visto um show do Echo, no mesmo lugar há 3 anos,da turnê do CD What are you going to do with your life?, só que das cadeiras superiores onde tudo e todos ficam parecendo miniaturas da Lego ou Playmobil ou qualquer miniatura bonitinha.
A falta de expectativa foi substituída mais tarde por uma surpresa muito boa.
Pense num palco simples.Esse era o palco do Echo,sem firula,via-se o pedestal de Mr.Ian McCulloch,a bateria ao fundo,lateral esquerda espaço para o discreto-só na forma de ser portar no placo- Will Seargent, do mesmo lado estava o teclado,do outro lado,espaço para o baixista.Mais nada.
Eram 9:45 a casa ainda estava meio vazia.Cheguei cedo e consegui ficar na quarta fila quase na frente do Ian.
22:40 mais ou menos a banda subiu ao palco e mandou Going Up, música do primeiro disco, Crocodiles de 1980. A segunda música Show Of Strenght me deu a certeza de que o som estava perfeito, ouvia-se as lindas guitarras de Will Seargent e Ian McCulloch com vocal impecável ostentava seu velho charme britânico: estático,meio descabelado,com o cigarro aceso,óculos escuros e seu inseparável blaser preto.
A simplicidade do palco entrava em perfeita harmonia com a beleza do que se ouvia.O baterista Simon Finley deu um puta show, descia o braço quando necessário e era suave na hora certa.Will Seargent estava fantástico por traz dos cabelos médios, estático e discretíssimo o cara arrasava com suas paletadas precisas e criativas.Há que se lembrar que o som estava absolutamente equalizado.
Lá pela segunda ou terceira música,Ian pediu para aumentar o som e disse qualquer coisa sobre o som estar parecendo o de um rádio.(Entender o que ele fala é uma tarefa quase impossível para meu inglês enferrujado).
Som ajustado ao gosto de Mr. Ian,o show segue.
Além das músicas dos quatro primeiros discos e algumas do Siberia,último disco,rolaram dois covers,primeiro Roadhouse Blues,do Doors ?banda sobre a qual Ian disse que o Echo era superior,e é mesmo.Isso me faz lembrar de uma amiga que disse ter ouvido People are strange com o Echo e tinha gostado mais do que com o Doors,só queria ver a cara dela ouvindo Roadhouse Blues ao vivo.
Mais tarde, veio o segundo cover:Walking on wild side do Lou Reed.Nesta hora, estava lá atrás e vendo tudo -coisa rara- depois de ter me cansado de ficar entre um cara 2x2 -além de grande queria ficar na frente de todo mundo - e um pivetinho, não muito mais alto que eu, que pulou até na hora de Killing Moon. Ok, vamos nos empolgar, mas pular ouvindo Killing Moon...
Quase duas horas de show, repertório bacana, algumas músicas desconhecidas ?que sempre precisam ser tocadas num show - banda competentíssima,Ian com vocal perfeito,som bem equalizado e acústica nunca antes ouvida no Credicard Hall,resultado: sábado perfeito!

P.S.:Ian quase não fala com o público quando o faz pouco se entende.Mas num momento ele brincou com a idéia de Brasil e Inglaterra se enfrentarem na Copa do Mundo. Minha provocação futebolística a ele seria lembra-lo de apenas um nome: Mineiro.Como será que ele pronunciaria este nome carrasco,responsável pelo gol que matou o Liverpool,no mundial do Japão,em dezembro de 2005?

P.S 2: A segunda provocação está na epígrafe: ele nunca gostou dos Smiths!

26 de abril de 2006

A volta das Irmãs da Misericórdia

A escuridão está voltando para os trópicos. Os morcegos estão começando a se mover, arranhando ansiosamente com suas pequenas garras os galhos das árvores úmidas da mata atlântica, seus radares já visualizam a chegada de uma das bandas mais idolatradas pelos góticos de todo o mundo: Sisters Of Mercy. Comemorando a longa vida de 25 anos, o Sisters traz sua música e sua história, que fizeram relativo sucesso principalmente na década de 80 e início de 90, para a cidade de São Paulo, dia 19 de Maio na Via Funchal, e para o Rio de Janeiro, dia 20 de Maio no Circo Voador.

Apesar da costumeira referencia pela mídia e pelos seus admiradores, a banda sempre rejeitou o rótulo de banda gótica. Mas é compreensível a associação da banda pela maioria ao movimento gótico graças ao vocal profundo e grave de Andrew Eldritch, um dos criadores da banda e à frente dela até hoje, aos climas soturnos, pesados e lentos de algumas canções, as capas escuras de seus discos e ep´s e a própria imagem visual e de atitude que a banda passa.

Acontece que as influências do Sisters vão muito além deste clima sombrio, existiram e existe toda uma leva de bandas e estilo e imagem no mundo pop-rock que remetem ao Sisters of Mercy. Com apenas três discos lançados (First And Last And Always de 85, Floodland de 87 e Vision Thing de 90), são admirados ainda hoje por muitos que não são exatamente simpatizantes do movimento gótico e sim pelo som extremamente original e potente da banda.

Sem sobretudo e nem coturno, o Sisters of Mercy é a banda que vou seguir no mês de Maio.

16 de abril de 2006

Os Números Mágicos da Fofura Extrema

Sabe aqueles dias que você só quer chegar em casa, se afundar no sofá e fechar os olhos, pensando na vida (ou no que essa safada acabou de te aprontar)? Muitos diriam que a companhia perfeita pra uma hora dessas seria um six-pack de cerveja geladíssima, enquanto outros prefeririam a companhia de um cachorrinho de estimação ou uma grande barra de chocolate. Pois eu digo que a companhia ideal não pode ser outra senão o disco The Magic Numbers, da banda de mesmo nome.

É incrível o que este quarteto de gordinhos consegue fazer com a minha cabeça. É como se metade das ondas sonoras que saem das músicas deles distraíssem meu cérebro e os meus sentidos, enquanto a outra metade faz uma faxina geral e uma massagem completa no meu interior. Lembra dos Ursinhos Carinhosos, que podiam soltar uns "poderes" das suas barrigas? Eles sozinhos tinham poder, mas quando dois ou mais se juntavam é que a coisa ficava avassaladora de verdade, certo? O mesmo pode ser dito das vozes de
Angela Gannon (percussão, melodica e vocais), Romeo Stodart (guitarra, vocais, banjo e piano) e sua irmã Michele Stodart (baixo, vocais e teclado). Sozinhas, podem surtir efeitos calmantes, mas somente as três juntas, em sopreposições, duetos e backin' vocals, conseguiriam acalmar a maior das feras. Eu entraria na jaula de um leão selvagem, se tocassem The Magic Numbers bem alto perto do bichano.

É até estranho descrever o quanto essa banda é fofa. Pra saber do que eu estou falando, você precisa assistir aos clipes deles. Se o CD é a identidade do quarteto, é o cartão de visitas, os clipes são aquela noite que você passa acordado junto de alguém, conversando trivialidades só pra acabar descobrindo o quanto aquela pessoa é incrível. "Love's a Game", além de ser, na minha opinião, a música mais linda e fofa do mundo, é a trilha sonora dos quatro minutos e cinquenta segundos de vídeo mais sinceros que eu já tive o prazer de ouvir. A primeira vez que eu vi esse clipe, eu senti uma coisa muito estranha. Foi à uma e pouco da madrugada, no MTV Lab. Aquele clipe irradiou uma luz tão grande, um sentimento tão sincero, tão simples mas ao mesmo tempo tão completo, que todos os clipes que passaram antes e depois dele pareceram completamente sem graça (até porque, de fato, a maioria era).


Quando alguém que é fã de No Use For a Name, Millencolin, The Ataris e Less Than Jake se derrete todo em elogios à uma banda que pode ser descrita apenas como "extremamente linda e fofa", isso só pode significar duas coisas: ou a banda é realmente um achado, ou esse alguém está ficando mais, digamos, sensível.

17 de março de 2006

Mais uma lista de melhores de 2005

Deus! Perdoai os que embaçam na publicação de textos para este blog. E perdoai aqueles que escrevem listas de melhores discos do ano. Para que servem estas listas de melhores discos do ano se não para podermos discordar da ausência de nossos preferidos ou a presença de bandas não tão preferidas?
Acontece que o cara esperto que curte música sabe como utilizar este tipo de lista. Depois de reclamar e xingar muito, ele vai atrás daquele disco que nunca ouviu falar e conferir se o disco presta. Mas cada um com sua opinião.
Não escutei tudo que foi lançado em 2005 no mundo rock/pop e nem pretendo, mas influenciado por um amigo que me pediu uma lista dos dez melhores de 2005 para escrever em seu blog, vou aproveitar e massagear meu ego colocando aqui a minha lista de melhores discos de 2005, em ordem alfabética.

Art Brut
Bang Bang Rock And Roll
O punk e o post-punk da década de 70 e do início de 80 imortalizado por bandas como Vibrators, Damned e The Fall. O sotaque inglês é fenomenal, a faixa My Little Brother tem uma parte que é assim: "My little brother just discovered rock'n'roll, there's a noise in his head and he's out of control".

Bloc Party
Silent Alarm
Influências do post-punk, mas com uma levada mais new wave e dançante, sem deixar o punk de lado, sem antes não colocar uma dose de personalidade. Bateria e baixo comandando o ritmo e abrindo caminho para as guitarras fazerem seu papel, as vezes melancólico, as vezes cheio de swing.

Clap Your Hands Say Yeah
Clap Your Hands Say Yeah
O vocalista tem o mesmo timbre de voz de David Byrne do Talking Heads, mas canta de um jeito um tanto esquisito. E o legal é perceber que sua voz encaixa perfeitamente ao ótimo som cheio de camadas sonoras do restante da banda.


Epoxies
Stop The Future
Lembranças. Epoxies me faz lembrar a seminal banda punk X-Ray Spex, só que com um sintetizador no lugar do saxofone. O disco inteiro é uma festa. O poderoso vocal de Roxy Epoxy traz a essencia e a energia de uma Siouxsie. Uma banda que poderia ter surgido em 77 abrindo shows para o Blondie sem fazer feio.

Heartless Bastards
Stairs And Elevators
A voz de Erika, a vocalista, é uma pedra crua, garageira e preciosa que, junto com o restante dos Bastards, me fizeram voltar a acreditar na simplicidade do rockão de garagem. Quem um dia lembra de Mark Lanegan e seu Screaming Trees, sabe do que estou falando. A voz forte hipnotiza enquanto a simplicidade do melhor do rock cru, sem frescuras, nos faz imaginar "essa banda ao vivo deve arrebentar".

The King Khan & BBQ Show
The King Khan & BBQ Show
BBQ toca bateria, guitarra, canta, tudo ao mesmo tempo. King Khan é o indiano maluco que toca guitarra, canta, dança, tudo ao mesmo tempo. Banda de duas pessoas tem de monte, mas banda de duas pessoas que faz o autêntico rock'n'roll ser mais barulhento e mais garageiro só tem o King Khan & BBQ Show.

Ladytron
Witching Hour
A primeira coisa que pensei ao ouvir Witching Hour foi como tudo funciona tão bem. A segunda foi como todas as canções deste disco são lindas e possuem uma sonoridade agradável para qualquer momento do dia e da noite. Um electro-rock denso, dark, cheio de sensações retrô saídas do forno.

Sleater-Kinney
The Woods
Guitarras super pesadas, melodias nervosas, gritos enfurecidos, canções que não são pra qualquer ouvido. As meninas voltaram com tudo, nada de melodias fáceis. O som do Sleater-Kinney arranha e incomoda como os bons discos de rock precisam ser.

The Soviettes
III
Soviettes é uma banda que lembra em alguns momentos o punk rock feito no início dos anos 90 pela banda Greenday, mas que tem aquela identidade própria que foge fácil do estigma "mais uma banda de punk rock". Os três acordes, a energia e a forma de cantar em canções punk rock com aquele algo mais, a atitude e a diversão.

Wolf Parade
Apologies To the Queen Mary
Algumas canções me fizeram lembrar Black Francis e o seu Pixies. Outras me fizeram lembrar Arcade Fire, graças à grande quantidade de camadas sonoras e seus instrumentos de cordas, percussão, os backing vocals, a alegria misturada com a melancolia. Pixies e Arcade Fire. Tá esperando o que pra escutar Wolf Parade?

23 de fevereiro de 2006

Contradições

Para contradizer o texto anterior e evitar que este blog fique sem nenhuma postagem no mês de fevereiro (que horror, esses meus amigos me decepcionam!) segue uma listinha dos shows que mais doeram perder:

- The Cure Hollywood Rock, 21/01/1996 - por razões que desconheço, preferi ver os shows do dia 20.
- Belle and Sebastian último Free Jazz, 2001 - não consegui comprar ingresso, eles se esgotaram em 2 dias.
- Pixies CPF 2004 - tudo culpa do festival que não soube organizar a venda dos ingressos pela internet, quando acertaram a situação, fiquei com raiva e não comprei.
- David Bowie Close up Planet, 1997 - não tinha companhia...
- U2 turnê Vertigo, 2006 - preferi não ir porque não estava animada, mas depois que ouvi dizer que foi melhor que 1998...

Tem mais, com certeza, e não os coloquei, necessariamente, na ordem de dor.Mas não tiraria o Cure do topo da lista.

17 de janeiro de 2006

Listas

Para quebrar o protocolo, se é que há algum neste blog que é, ás vezes, uma esbórnia porque podemos falar de qualquer coisa, apesar de sermos monotemáticos e preferirmos sempre a música. O primeiro post de 2006 é a tentativa de se fazer uma lista que não é exatamente sobre os melhores de 2005.

Descobri que não sou muito boa para fazer listas. Tem gente que faz listas das melhores músicas e discos do ano, da última década, de todos os tempos...eu nem sequer consigo dizer quais são os melhores discos dos Beatles, apesar de adorar o Sgt. Peppers, Rubber Soul e Revolver. Não consigo formar uma opinião sobre Kid A e Amnesiac do Radiohead, ou de qual é a minha banda preferida. Na verdade, eu deveria saber essas coisas (e já estou remediando isso), afinal, é a área que mais me interessa na vida e são duas bandas de que gosto muito, sem falar na importância notória delas.
Engraçado que foi o Death and Dethroned disco do Jesus and Mary Chain que me despertou essas conclusões brilhantes que muito provavelmente não me levarão a lugar nenhum. No fim, mais importante do que conhecer música e estar informada sobre tudo o que está rolando de legal ou de meia boca no meio musical é saber que importância ela tem para a vida.
Eu não sei se saberia falar da minha vida sem relacionar os momentos mais importantes com aquilo que ouço. Neste momento, Never saw it coming, sétima música de Death and Dethroned embala a dúvida sobre se continuarei trabalhando ou se terei de me retirar.
Aliás, devia ser proibido fazer música tristinha assim. Músicas que falam de amor, de histórias mal resolvidas, com esse vocalzinho aparentemente blasé, guitarras mais calmas e acho até que mais tristes em relação aos discos mais revoltadinhos do Jesus. Para piorar tem Sometimes Always com a Hope Sandoval que aparece para fazer o duelo da mulher contra o homem que a deixou e resolveu voltar...
Não sei fazer listas, mas acho que sei como a música conta histórias de vida, de momentos pessoais e até sociais. Tudo isso piora a situação de pessoas que tem memória afetiva boa demais, como eu.
Conheço pessoas que ouvem Cocteau Twins e ficam tristes, não é o meu caso. Conheço gente que chora ouvindo There´s a light that never goes out do Smiths, entre as quais me incluo. Outros escutam hardcore quando estão revoltados, este momento,para mim, é propício para ouvir a Courtney Love berrando em Violet ou começar a berrar junto com o Frank Black em qualquer música do Pixies (menos Here comes your man e La la love you).
Seymour Stein, do Belle and Sebastian é perfeita para me emocionar sem ficar triste. Depois de assistir Lost in Traslation, Just like honey do Jesus and Mary Chain começou a fazer parte deste time. Outra que é uma artilheira de longa data é Pictures of you, do sempre querido The Cure - banda que ainda não tive o prazer de ver ao vivo e uma das poucas que gostaria de estar na primeira fila aos pés de Robert Smith! (nossa, peguei pesado agora...) Alma Matters do Morrissey me arranca lágrimas, por que ele tem de cantar daquele jeito? Aliás não à toa o Morrissey não tem fãs e sim devotos, seguidores.
Todo mundo deve ter uma música que serve de cutucão. Aquela que dá um pedala na gente como um amigo de verdade faria quando a gente fica se achando a pior pessoa do mundo. A minha? If you want sing out, sing out do Cat Stevens que já chamei de mantra em um texto que escrevi em algum lugar. O cara conseguiu fazer uma letra otimista sem ser ridícula, completamente possível de se clocar em prática na vida e que de certa forma invoca a liberdade. Aliás, percebi que as músicas dele ficam mais fortes ainda quando as ouvimos assistindo Harold and Maude (Ensina-me a viver). A trilha sonora é inteira de músicas do cara que se converteu ao islamismo, depois de quase morrer e funcionam como um terceiro personagem da história.
Mas acho que o cara que tem o talento de me provocar quase todos os sentimentos é Mr. Nick Cave. Fico triste, choro, me emociono, me revolto... Lembro-me muito bem de quando ouvi The Boatman´s Call numa tarde fria e nublada de inverno ...essa é uma das lembranças musicais mais tristes que já tive e não tinha motivos aparentes para ficar triste.
Migrando um pouco para discos. Não posso deixar de citar dois nacionais, que são lindos, emocionantes, me arrancam lágrimas, sorrisos e são trilha sonora de uma história ótima que vivo há seis anos.Os discos: Amanhã é tarde do Fellini, que tenho autografado pelo Cadão Volpato e A vida é doce, do indefectível Lobão. E já que citei minha história pessoal faço logo o serviço completo, não posso esquecer o disco que me fez conhecer meu namorado, o blue álbum do Weezer.
Ah, sim tem músicas que gosto de ouvir quando estou com meus amigos em baladinhas que vão de New Order a Primal Scream. Fora as que uma das minhas turmas tocam no violão. Esse repertório é mais diverso, cantamos tanto Sit down do James como uma do Tim Maia que não lembro o nome.
São milhares de músicas.Milhares de momentos que não teriam a mesma graça sem trilha sonora. Muita coisa bacana que eu amo muito deixou de entrar aqui, se eu fosse continuar o texto viraria um tratado e como eu disse não sei fazer listas, sei narrar momentos e relacioná-los com os sons.

26 de dezembro de 2005

Claro que é Lama

Com os sapatos enlameados. Foi assim que entramos no local do festival Claro que é Rock, após pararmos no estacionamento oficial do evento, um morro sem iluminação onde carros atolavam, pessoas escorregavam e literalmente enfiavam o pé na lama. Por R$15 queríamos o que? Um estacionamento de fácil acesso, pavimentado e bem iluminado? A "odisséia" que vivi antes e depois do show por causa do estacionamento foi algo tão inusitado que era impossível ficar indignado. É ligar o botão "foda-se" e aproveitar. Great shows ahead!

o senhor simpatia wayne coyne, do flaming lipsPor motivos que prefiro omitir e que foram rapidamente sanados através da ação de um bastão de baseball atingindo um crânio desprovido de inteligência, cheguei no meio do show do Flaming Lips. Sim, eu havia "estudado" o setlist do Flaming Lips pela internet, já sabia que a terceira música era a cover de Bohemian Rhapsody do Queen e que o gênio por trás das composições da banda, Wayne Coyne, desfila por sobre a platéia dentro de uma bolha de ar. Sim, não vi nada disto. Do menos, o pior. Consegui pegar a linda Do You Realize?, o hit She Don't Use Jelly e a maluca viagem de Yoshimi Battles The Pink Robots. Com o palco cheio de adultos fantasiados de bichos coloridos, Wayne, com toda sua simpatia, chama o tempo todo o público para entrar na festa pscicodélica que é o show do Flaming Lips. Você não conhece a banda, nunca ouviu suas músicas, mas o show serve pra você também. O show do Flaming Lips não é um momento em que eles estão ali apenas para apresentar suas músicas. É um show de rock, com cara de festa, onde o público presente, mesmo não conhecendo absolutamente nada da banda, adorou os anfitriões e acabou se divertindo. Pouco, pois o show foi curto.

Uma mijada histórica dentro de um banheiro químico fedorento. Isto foi o que aconteceu entre o show do Flaming Lips e o do Iggy and The Stooges. Vocês acham que iam dormir sem esta?

a divindade iggy popIggy Pop. Influenciou tanta gente com suas performances ao vivo e com sua música que eu ainda não estava pronto para o que estava por vir. Tanto é que o show começou e eu não sabia direito onde ficar para assistir tudo aquilo. Iggy e os Stooges remanescentes me lembraram do por que cheguei a usar a cara de Iggy em um trabalho de calcografia na faculdade. I Wanna Be your Dog, 1969, No Fun, Real Cool Time, Funhouse. Só estas seminais canções de mais de trinta anos atrás já valeriam o show, mas pagamos pra ver mesmo é Iggy e sua dança, seus saltos, suas performances. A energia da banda é toda catalisada em Iggy e posta pra fora, para a platéia, que retribui subindo no palco, dançando, abraçando e cantando ao lado do mestre, da iguana do rock, no momento mais rock'n'roll do dia. Nada como um show proto-punk para desintegrar de nossas mentes uma festa pscicodélica. Iggy e os Stooges no final da década de 60 mostraram que rock'n'roll é destruição, é dançar, se jogar, gritar. Iggy, trinta e cinco anos depois, continua a nos ensinar tudo isso, ali, na nossa frente.

a senhora kin gordon do sonic youthSai o cru e destruidor e entra a banda que foi capaz de reinventar, através de guitarras distorcidas, efeitos e desafinações, a (des)construção do rock no início da década de 80. Meu primeiro show do Sonic Youth, uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos. A banda não se importou com o fato de que era apenas a segunda vez que eles vinham ao Brasil em mais de vinte anos de estrada. Em outras palavras, focaram seu show em músicas do disco novo, de 2004, Sonic Nurse. Pouca gente escutou este disco e hits esperados como Diamond Sea e Sugar Kane foram ignorados. A banda focou toda sua energia nas guitarras e nas longas distorções e experimentações, deixando pouco espaço para o rock'n'roll. O pouco convencional tomou conta, mesmo quando resolveram tocar alguns de seus antigos clássicos, como Schizofrenia e Teenage Riot. Iggy não deixou pedra sobre pedra, o Sonic fazia apenas vibrar as pedras. O ponto alto do show foi quando a cinquentona Kin Gordon assumiu os vocais, cantou e dançou na frente da platéia, mostrando simpatia no único momento de interação com público. O fato é que depois de dois shows onde a platéia participou ativamente, seja dançando, cantando ou se deslumbrando, assistir ao show do Sonic Youth naquele momento foi como ir para o lounge, sentar no sofá e tomar uma coca-cola gelada.

trent reznor emocionou este que escreveTrent Reznor, o demente por trás do NIN, seria o próximo. O último show da noite era o que eu menos esperava, apesar de já ter adorado a banda e escutado seus discos exaustivamente. Errei deliciosamente em não esperar nada. Foi um show violento e agressivo, graças a maioria das canções do NIN, que extrapolam ao vivo o seu peso e agressividade, tanto na tríade guitarra-baixo-bateria quanto nas letras. Foi um show belo e introspectivo, graças a performance de Reznor que parece viver intensamente as letras ao cantar, em especial no momento mais calmo do show ao interpretar a canção Hurt que, segundo Johnny Cash, é a mais verdadeira canção anti-drogas já composta. Vai ser difícil esquecer as esculturas verticais que mudam de cor no meio do palco, as luzes e os lasers que contracenavam com a escuridão, com a platéia, com as músicas e com a silhueta dos integrantes da banda. O NIN fechou o festival como deveria, apresentando o show com o visual mais legal que eu já tive a oportunidade de assistir ao vivo.

Fim do festival, de volta pro carro, subir o morro, pescoço dolorido, ser os últimos a sair do estacionamento, chegar em casa às 5 e meia da manhã, um sorriso enorme de satisfação rasgando o rosto. Que bom seria se tivéssemos mais festivais como este por aqui.

17 de dezembro de 2005

O dia em que São Paulo foi Seattle

Hoje faz duas semanas que aconteceram os shows do Pearl Jam,em São Paulo. Ok, passou tempo demais, mas algumas coisas mesmo com atraso não devem ser deixadas para trás.
Dia 02 de dezembro foi o dia que São Paulo se transformou em Seattle: no tempo (céu nublado, chuva fina o dia todo), no modo de vestir já que muita gente se reencontrou com as velhas camisas de flanela que há muito tempo estavam esquecidas em algum lugar do guarda-roupa e na música; show do Pearl Jam.
Fazia mais de nove anos que eu estivera no Pacaembu, vendo shows que hoje não fazem mais nenhum sentido para mim.Mesmo assim consegui me lembrar daquela mesma movimentação, daquela quantidade fantástica de pessoas indo em busca da mesma coisa que havia visto anos antes.
Desci a rua lateral do estádio com esperanças de ver Mark Arm berrando no palco com seus companheiros do Mudhoney. Cheguei às 18h40 e estranhei de ver o palco vazio. Quando encontrei um lugar mais ou menos para ficar comecei a perguntar ansiosa para meus companheiros: cacete, cadê o Mudhoney?.
Os minutos passaram, a arquibancada começou uma hola que durante um tempo animou a multidão.Enquanto isso eu continuava intrigada com o pensamento será que cortaram o Mudhoney na última hora?, depois descobri que era mais ou menos que tinha acontecido.
Às 19h30,britanicamente, conseguia-se ouvir as primeiras notas de Go. Sim, o sonho de muitos que estavam ali estava virando realidade: Eddie Vedder, Stone Gossard,Jeff Ament, Mike Mc Cread e Matt Cameron (conferir se é ele mesmo) estavam no palco básico do Pacaembu.Básico porque não havia nada além de uma iluminação comum.
Go puxou uma verdadeira enxurrada de músicas que os fãs queriam ouvir. Músicas muito conhecidas para quem conhece Pearl Jam: Hail Hail ,Animal,Better Man, Corduroy,Do the evolution,Last kiss, Given to fly. Essas foram um aperitivo para quem estava ansioso, à espera das seis músicas do Ten,primeiro disco da banda, que foram tocadas no show de Curitiba. A cada cidade, aliás a cada dia o set list mudava. Even flow, tocada mais no início do show foi a primeira a puxar as outras:Porch, Once, Alive, Black e Jeremy.
Mas tudo isso foi estupidamente prejudicado pela péssima qualidade de som que de acordo com um amigo era um som de Tom Brasil Nações Unidas num lugar 10 vezes maior. De onde eu estava ouvia-se duas coisas: a voz do Eddie Vedder e alguma coisa que parecia uma vibração de baixo e bateria juntos, só não se sabia o que era o que. Isso melhorou um pouquinho na segunda hora de show, mas mesmo assim tinha músicas que demorei tipo uns 30 segundos para reconhecer (bizarro!).
Se o som estivesse bom eu não me importaria com o fato de ter ficado num lugar de onde não se via quase nada. Contentei-me em olhar para o telão, que também foi colocado numa altura ridícula, e contei com meu irmão que me ergueu umas 3 vezes para ver o palco.
Eddie Vedder não decepcionou: falou português em vários momentos, apesar de não se entender muito o que ele dizia o esforço deu chame às tentativas. Eddie está com o mesmo cabelo de 13 anos atrás, faz a mesma cara de psico enquanto canta, a diferença é a barba e 13 anos a mais na idade.
Um momento que eu não esperava foi a homenagem ao Johny Ramone. Vedder apareceu no palco sentado num banquinho empunhando um violão e dizendo em português que iria tocar uma música (Man of the hour) para um amigo de quem ele sentia muita saudade. O público respondeu a frase com um sonoro Hey, ho! Let´s go. Na seqüência veio a cover de I believe in miracles, que em Porto Alegre rolou com participação do Mark Ramone.
Apesar do som horrível, do palco que eu não conseguia ver, dos gigantes que sempre paravam na minha frente eu consegui me emocionar em 3 momentos: quando ouvi as primeiras notas de Given to fly, depois em Alive, música que a galera cantou quase em unísono e mais tarde em Black quando eu ouvi as palmas mais cadenciadas e unidas da minha vida. Dava para ouvir algo que se traduzia como um tcha contínuo que não me lembro quando parou.
Jeremy foi tocada quase inteira com os holofotes do estádio ligados. Sinal de que tudo seria pontualíssimo do início ao fim. Deu para ouvir Eddie Vedder dizer que não demoraria outros 15 anos para voltar ao Brasil.
Abstraindo a historinha que tenho com a banda concluo:
1º A voz dos moradores do Pacaembu ganhou disparado dos fãs do Pearl Jam que quase imploraram para a realização do show. O show aconteceu, mas com uma qualidade de som pífia, coisa que o público que pagou 120 pila + taxa de conveniência que a ticket mercenária master cobrou ,não merecia.
2º O Pacaembu é terrível para shows e eu não me lembrava mais disso.Não sei se repetiria a dose.
3º Saí pensando que teria sido mais interessante, cômodo e barato se eu tivesse ficado na arquibancada. Realmente os fãs de rock são mutantes. As pessoas vão mais bonitas a shows hoje do que iam há 10 anos.
4º Droga, perdi o Mudhoney! E não foi por atraso meu. Encontrei uma amiga que me contou que a banda tocou meia hora, das 18h às 18h30, uma hora antes do previsto e divulgado.
5º Não consegui manter a abstração até o fim e vou dizer que apesar de tudo de ruim que citei sou doente, me divirto em shows. Foi bom ver a banda do início da minha adolescência.

16 de dezembro de 2005

Shadow of The Colossus

Videogame é videogame, arte é arte, sempre foi assim. Pelo menos até Shadow of The Colossus ter sido lançado para PlayStation 2.


:: Complexo em toda sua simplicidade

É impressionante como um jogo tão simples pode ser tão complexo, lindo e marcante. Um jogo convencional dá a impressão de ter sido criado a partir de uma boa idéia que, para ser mais viável comercialmente, acaba sendo inundada por detalhes, tramas paralelas, histórias que se cruzam, reviravoltas e tudo mais. Aparentemente, tudo que puder complicar será bem vindo. Shadow of The Colossus é tão simples que a impressão que se tem é que o diretor Fumito Ueda teve a idéia sozinho, num quarto escuro, antes de dormir e pensou: "Essa idéia é boa demais para ser mexida. Vai ser exatamente assim como eu pensei, sem nenhuma complicação, nenhum detalhe, nada. Está perfeito." E estava mesmo.


:: História simples, experiência emocionante

A história começa com um herói sem nome, batizado apenas como "Wanderer" (andarilho), chegando em seu cavalo a uma linda e enorme terra desconhecida. Ele carrega em seu colo o corpo inerte e desacordado de uma menina de longos cabelos negros, a quem o garoto pretende devolver a vida. Ao atravessar uma belíssima e enorme ponte (um dos momentos mais graficamente impressionantes da minha história com os videogames), os três chegam a um templo, onde acontece um pequeno diálogo com uma voz retumbante que parece vir de dentro do próprio templo.

Aliás, é importante ressaltar que esse é um dos jogos mais simplistas desde a era do Atari. Todo o diálogo que acontece não é nem uma palavra além do estritamente necessário, e mesmo assim tudo é dito num tom poético e as falas do "deus" do templo são em linguagem antiga, bíblica, medieval. Sei lá. É lindo.

Nesse diálogo o garoto explica que a menina em questão (que também não recebe um nome) morreu de forma injusta, e que ele fará tudo o que for possível para restaurar a vida dela, pois acredita que a "voz do templo" tenha esse poder. A voz responde que isso pode ser possível, porém, há "um preço a se pagar" e "uma tarefa a se cumprir". A tarefa em questão é acordar e derrotar todos os dezesseis Colossi, criaturas magnifícas, tanto em tamanho quanto em complexidade e beleza. Assim, o jogo tem início.


:: A grama do vizinho nem sempre é a mais verde

A partir daí o mundo é seu. Você vai ficar boquiaberto com o mundo ao seu redor e com todos os seus detalhes, acidentes geográficos, colinas e despenhadeiros. Com cada árvore, com cada penhasco ou cachoeira. Tudo é deslumbrante. Tudo é impressionante. Não há inimigos menores para derrotar. Tudo que existe é você, seu fiel cavalo Agro e o mundo. Uma ou outra eventual águia ou um pequeno lagarto correndo por entre as pedras podem ser vistos, às vezes. Uma incrível sensação de liberdade toma conta do jogador, como se aquele mundo realmente existisse, como se a televisão fosse uma janela com vista para um ambiente fantástico, e real. Você poderia querer ficar dias apreciando a paisagem, e isso seria possível, mas você se lembra que tem um gigante a enfrentar.


:: À sombra do colosso

A luz do sol refletida pela espada sempre mostra a direção em que o próximo alvo se encontra. Indo nessa direção e desviando de quaisquer irregularidades do terreno, fatalmente se encontrá o colosso a ser derrubado. E o primeiro deles já chega para impressionar. Grande, lento e, de certa forma, vivo. A impressão que se tem ao chegar perto de um dos dezesseis grandes inimigos do jogo é exatamente essa: de que aquilo não é um modelo 3D animado e programado com códigos de computador que lhe conferem uma semi-inteligência artificial. A impressão que se tem é de que se está frente a frente com uma criatura viva, pulsante, que estava ali, à toa, sem fazer mal a ninguém, mas que por um motivo deve ser morta. Dá pena, gente. Muitas vezes dá pena. Eu, particularmente, nunca vi personagens com olhos tão sutilmente expressivos. Eles não têm sobrancelhas, tampouco pálpebras ou qualquer outra coisa ao redor dor olhos que pudesse lhes conferir emoções e expressões faciais. Mas mesmo assim é impossível não perceber algum tipo de sentimento naquele olhar. Seja de compaixão, de dúvida, de simples agressividade, mas todos eles têm sentimentos e, se você também os tiver, vai percebê-los.

A batalha consiste em achar o ponto vital da criatura, achar um meio de escalar até lá, se segurar firme enquanto o inimigo tenta com todas as forças lhe jogar longe e, por fim, cravar a espada sagrada nesse ponto (às vezes são mais de um no mesmo Colosso). Fazendo isso repetidas vezes o inimigo cairá no chão, sem vida. Seu espírito sairá do corpo do gigante, tomando conta então do corpo do herói, que aparece logo depois acordando no templo inicial (onde está a garota no altar), onde vai receber instruções, muitas vezes pouco reveladoras, para a luta contra o próximo Colosso.

Mas, verdade seja dita, às vezes nem dá vontade de lutar. Dá vontade de ficar correndo ao redor do colosso, observando seus movimentos, suas atitudes, suas expressões. Dá vontade de fazer com que ele tente te atacar, só pra ver o show de poeira, terra e pedras que voam do chão para todos os lados, a partir do ponto onde ele acertou. Dá vontade de subir nele só para ficar ouvindo as empolgantes músicas orquestradas que se alternam em cada uma das situações. Enfim, dá vontade de fazer o jogo durar para sempre.


:: Sinta

Faltam palavras para descrever esse jogo, e todas as que eu escrevi aqui estão desordenadas, pois é muito difícil analisar algo que deve ser sentido, e não entendido. É simplesmente a experiência mais gratificante que alguém pode ter segurando um controle de PS2. E, já que é impossível fugir do trocadilho, é um game colossal.

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Mais Imagens:
(Clique para ampliar)














Ah, antes que eu me esqueça: todas as imagens desse post são realmente do jogo rodando, não de algum video, sequência em CG ou nada parecido. É tudo real.