15 de julho de 2006

Turquoise Boy

Se Reena, a música que abre o novo disco do Sonic Youth, não se transformar em hit em qualquer parada indie-pop-rock, eu paro de escrever nessa joça. Rather Ripped é um dos discos mais populares que a trupe do Sonic seria capaz de conceber. O que isto significa? Para mim, significa que a banda sentiu saudade de seus (meus preferidos) discos mais simples, mas não menos climáticos, apenas mais diretos e crus - e moldados em canções mais acessíveis, como o Sister, Daydream Nation, Goo e Dirty. As melodias com guitarras que essa banda consegue compor são as mais belas que já escutei. Sim, meus amigos, adoro pop, adoro melodias, adoro ouvir Sonic Youth no rádio e ligar no Disk MTV para que eles apareçam no Top 10.

Esqueça um pouco os últimos dez anos de trabalho do Sonic Youth onde eles estavam voltados para suas raízes experimentais. Você não vai encontrar nada disto em Rather Ripped. Aqui você irá encontrar o início dos 90, quando Goo foi lançado, quando o Nirvana estava para surgir para o mundo, quando muitos de nós (100% de nós?) assistiu e escutou Sonic Youth pela primeira vez em um clipe na MTV.

Posso estar viajando um pouco, mas pelo menos estou viajando escutando a Kim Gordon sussurrando em meu ouvido Turquoise boy, I must confess to you, sweet liberation has come, You are a legend in a lovely game, but now I feel I must run.

14 de julho de 2006

A Dica do Dia : Peter & Trent

Ah, se não fosse nossos leitores, essas pessoas informadíssimas que nos acompanham por todos os lados, nos mandando email, cartas, postais, roupas íntimas e, de vez em quando, alguns comentários.

Este post-dica só existe por causa de uma de nossas leitoras assíduas que é, por pura coincidencia, a vencedora da promoção Camiseta Indigesto - Isso sim é moda, SP Fashion Week de c* é rola.

A nossa querida leitora nos enviou uma dica de vídeos musicais para download que é pra deixar o fã de Peter Murphy de joelhos, o fã de NIN de pêlos arrepiados e o fã da estupenda banda Tv On The Radio de pernas bambas.

O sempre boa praça Trent Reznor, cabeça do NIN, está disponibilizando em seu site (isso mesmo, pode clicar na palavra site) vídeos de atuais encontros de sua banda com Peter Murphy, o intrépido vocalista do Bauhaus. Em um destes encontros, uma espécie de show privativo a céu aberto para poucos privilegiados, Trent e Peter se juntam ao Tv On The Radio numa jam session onde tocam Bela Lugosi's Dead do Bauhaus, Dreams do Tv On The Radio e Final Solution do Pere Ubu. Dreams é a música com o clima perfeito pra essa parte do mini-show, uma aula de clima e espontaneidade e rock'n'roll.

A outra parte de vídeo disponíveis para o download é também um pocket-show para alguns felizardos, mas desta vez em ambiente fechado, em uma espécie de estúdio improvisado, onde Peter Murphy e Trent Reznor e mais alguns amigos improvisam Nightclubbing do Iggy Pop, Reptile do NIN, Warm Leatherette do The Normals e Strange Kind Of Love do Peter Murphy. Eu destaco a canção do Iggy, maravilhosamente cantada por Peter.

Após puxar os vídeos e vê-los exaustivamente, é dolorido ter de esperar que o Show 04 esteja disponível, onde Peter e o NIN tocam suas versões de músicas do Joy Division.

3 de julho de 2006

Sete anos sem Sandman

Early to bed and early to rise,
makes a man or woman miss out on the night life

...Early to bed so you can wait
For three buses a trolley and a train
I think it's worth it for you to stay awake
Maybe tomorrow you'll be a little late
Early to bed -Like Swimming

I hear a voice from the back of the room
I hear a voice cry out you want something good
Well come on a little closer let me see your face
Buena - Cure for Pain



Há mais ou menos 9 anos,na casa de uma amiga eu ouvi os últimos versos da epígrafe acima pela primeira vez. O dia ensolarado e quente contrastava com o som denso, boêmio, melancólico traduzido em notas graves de baixo - que só mais tarde soube que era de duas cordas- sax e bateria, o som mais agudo de qualquer música do Morphine.
A música era Buena, o disco Cure for pain e a banda era composta por Mark Sandman (baixo/vocal), Dana Colley (sax) e Billy Conway(bateria). A ausência de guitarras me chamou atenção.O som me lembrava um jazz,mas com pegada rock'n roll.Pouco tempo depois fui surpreendida assistindo o Lado B,finado programa transmitido pela MTV,por Buena, novamente.Ainda não estávamos na época áurea de napster e audiogalaxy,isso veio um pouco depois. Só sei que cada vez que ouvia a banda no Lado B ou neste CD na casa da minha amiga mais interessada eu ficava.
Um dia nas minhas raras compras de CD na galeria do rock,entrei numa loja para comprar Odelay,do amalucado Beck.Enquanto estava guardando o CD e indo embora vi,na prateleira,aquela capa com um céu de nuvens meio roxas,imponente,com um nome de droga que alivia dores que nenhum analgésico consegue mais dar conta:MORPHINE. esitei por causa dos escassos trocados, mas levei a bolachinha para casa e a escutei muito.
Tempos depois, vi um clipe novo e sinistro na MTV:um totén com o rosto de três homens,em preto e branco e criancinhas com caras assustadas olhavam a imagem enquanto os versos de Early to bed eram quase falados,a música era do então último disco da banda Like Swimming. Mais uma vez estava surpresa em ouvir de uma banda que eu nem conhecia muito outra música realmente boa e que eu queria conhecer mais.
Cheguei a ler tempos depois que eles fizeram um show na Argentina e claro,não passaram por aqui.Isso seria remediado em 1999,já que os produtores do Free Jazz tinham intenção de fazer Mark Sandman matar as saudades do país que o acolheu durante um ano, o que não chegou a rolar não por falta de iniciativa de produtores ou falta de grana,mas porque ele se despediu da vida,durante um show,na Itália,no dia 3 de julho do mesmo ano. Quer morte mais romântica? Nada de overdose, nada de suicídio,apenas uma parada cardíaca durante um show.
A sua história de morte,aparentemente,é mais conhecida do que sua vida :o cara era boêmio -Early to bed não parecia um texto fictício, podia até ser autobiográfico- foi taxista, em Cambridge, sua cidade natal,trabalhava a noite, é claro. Trabalhou num barco de pesca, no Alaska. Morou em Santa Tereza,Rio de Janeiro, por um ano e parece que falava bem português. Classificava o Morphine como low rock e como uma banda de boteco,chegaram a tocar em bares pequenos 7 dias por semana. Mas públicos maiores como as 200 mil pessoas, no festival de Glastonburry, 1998, também tiveram a sorte de vê-los.
Sandman, o homem de voz grave que teve a idéia de tocar um baixo com apenas duas cordas,que fazia músicas boêmias e com histórias humanas era botequeiro, gostava dos escritores da geração beat morreu fazendo o que gostava. Infelizmente, não teve a sorte de matar as saudades do Brasil e de nos dar o prazer de ver sua banda tocar ao vivo... Este, com certeza,era um cara do rock and roll com quem eu gostaria de ter trocado uma idéia. Valeu, Mark Senhor dos Sonhos Sandman!

Discos que valem muito a pena serem ouvidos:
Cure for Pain
Yes
Like Swimming
The Night

30 de junho de 2006

Julho:aniversário do Indigesto

No mês de julho,mais conhecido como a partir de amanhã, o Indigesto faz um ano de vida,que coisa fofa! Como os editores são todos sem noção, nem ao menos se conhecem pessoalmente, abandonam o blog por mais de um mês assim... Sem novidades, nem uma foto,nem uma piadinha infame,nada...Eu como a representante feminina do trio pelo menos, neste mês, me encarregarei de mudar um pouco esta história:no mínimo um post por semana.Pode ser que apareçam 2 ou 3 posts numa semana e nada na seguinte, mas o mês não passará em branco.Isto é apenas um teaser do que está para aparecer nesse blog, abandonado, empoeirado e cheio de teias de aranha (o clipe de Lullaby do Cure perde de longe na quantidade de teias). Já que fui completamente ignorada pelos meus companheiros indigestos começo sozinha para ver se eles se animam.

Começando a brincadeira... hoje enquanto vinha para o trabalho comecei a pensar que a vida sem música fica cinza. Por experiência própria digo que quando eu ouvia música todo dia eu era mais feliz.A minha relação com música tem sido olhar meus CDs e ouvir algum pela metade,nunca pensei que chegaria a este ponto.No trabalho a situação é desastrosa tenho de ouvir os ruídos que vem da sala ao lado da que trabalho que são puro, puro jabá. A galera escuta uma rádio que não faço questão de saber qual é,mas já notei que todo dia, nos mesmos horários tocam as mesmas músicas- se é que dá para chamar aquilo de música- ...quando Deus te desenhou..., não sei o que lá você chora... Sem falar no ecletismo do dono da empresa que pira ouvindo samba- às vezes o mesmo CD a semana inteira- salsa, jazz e até Jimi Hendrix e U2 já invadiram o ambiente. Não sei o que é pior ouvir isso ou ouvir nada.
Há uns bons meses atrás eu era torturada por Take on me do A-HA que chegou a tocar durante 3 horas,ininterruptas no trabalho e a simpatia pela musiquinha da minha pré-adolescência foi para o saco! Isso acontecia porque uns engenheiros malucos faziam testes em aparelhos de som então colocavam um CD com uma música no repeat.
Lá pelas 5 horas da tarde um senhor,que trabalhava no mesmo departamento, ouvia quase que religiosamente Dancing Queen do ABBA.
Apesar disso, era divertido porque existia um rádio que era para trabalho, mas claro que era usado a maior parte do dia para ouvir alguma emissora possível de se escutar como a Kiss e a Eldorado FM. Agora tudo o que tenho são as músicas esdrúxulas dos outros e um computador que não tem saída de áudio, que lástima! Estou sonhando com meu MP3 player.


Dia 3 de julho tem homenagem a Mark Sandman.

18 de maio de 2006

Atrasado,mas ainda vivo:Echo and the Bunnymen em SP


Don´t forget the songs that made you cry,and the songs that saved your life
Rubber Ring- The Smiths


Última parada: Echo and the Bunnymen,no Credicard Hall.Atraso de 40 minutos, gente perdida, estranha, aventureira,fã,tiozões e tiazinhas,crianças com menos de 20 anos. Todos num Credicard Hall com pista reduzida e a melhor acústica que pude presenciar nesses últimos 6 anos de shows vistos na casa.
Sim,a pista estava reduzida.Nunca o Credicard ficou tão pequeno,o camarote cresceu. Uma galera que tinha comprado ingresso para as cadeiras superiores para o show cancelado,em março, foi transferida para a pista:negócio da China!
Eu estava completamente sem expectativas. Já tinha visto um show do Echo, no mesmo lugar há 3 anos,da turnê do CD What are you going to do with your life?, só que das cadeiras superiores onde tudo e todos ficam parecendo miniaturas da Lego ou Playmobil ou qualquer miniatura bonitinha.
A falta de expectativa foi substituída mais tarde por uma surpresa muito boa.
Pense num palco simples.Esse era o palco do Echo,sem firula,via-se o pedestal de Mr.Ian McCulloch,a bateria ao fundo,lateral esquerda espaço para o discreto-só na forma de ser portar no placo- Will Seargent, do mesmo lado estava o teclado,do outro lado,espaço para o baixista.Mais nada.
Eram 9:45 a casa ainda estava meio vazia.Cheguei cedo e consegui ficar na quarta fila quase na frente do Ian.
22:40 mais ou menos a banda subiu ao palco e mandou Going Up, música do primeiro disco, Crocodiles de 1980. A segunda música Show Of Strenght me deu a certeza de que o som estava perfeito, ouvia-se as lindas guitarras de Will Seargent e Ian McCulloch com vocal impecável ostentava seu velho charme britânico: estático,meio descabelado,com o cigarro aceso,óculos escuros e seu inseparável blaser preto.
A simplicidade do palco entrava em perfeita harmonia com a beleza do que se ouvia.O baterista Simon Finley deu um puta show, descia o braço quando necessário e era suave na hora certa.Will Seargent estava fantástico por traz dos cabelos médios, estático e discretíssimo o cara arrasava com suas paletadas precisas e criativas.Há que se lembrar que o som estava absolutamente equalizado.
Lá pela segunda ou terceira música,Ian pediu para aumentar o som e disse qualquer coisa sobre o som estar parecendo o de um rádio.(Entender o que ele fala é uma tarefa quase impossível para meu inglês enferrujado).
Som ajustado ao gosto de Mr. Ian,o show segue.
Além das músicas dos quatro primeiros discos e algumas do Siberia,último disco,rolaram dois covers,primeiro Roadhouse Blues,do Doors ?banda sobre a qual Ian disse que o Echo era superior,e é mesmo.Isso me faz lembrar de uma amiga que disse ter ouvido People are strange com o Echo e tinha gostado mais do que com o Doors,só queria ver a cara dela ouvindo Roadhouse Blues ao vivo.
Mais tarde, veio o segundo cover:Walking on wild side do Lou Reed.Nesta hora, estava lá atrás e vendo tudo -coisa rara- depois de ter me cansado de ficar entre um cara 2x2 -além de grande queria ficar na frente de todo mundo - e um pivetinho, não muito mais alto que eu, que pulou até na hora de Killing Moon. Ok, vamos nos empolgar, mas pular ouvindo Killing Moon...
Quase duas horas de show, repertório bacana, algumas músicas desconhecidas ?que sempre precisam ser tocadas num show - banda competentíssima,Ian com vocal perfeito,som bem equalizado e acústica nunca antes ouvida no Credicard Hall,resultado: sábado perfeito!

P.S.:Ian quase não fala com o público quando o faz pouco se entende.Mas num momento ele brincou com a idéia de Brasil e Inglaterra se enfrentarem na Copa do Mundo. Minha provocação futebolística a ele seria lembra-lo de apenas um nome: Mineiro.Como será que ele pronunciaria este nome carrasco,responsável pelo gol que matou o Liverpool,no mundial do Japão,em dezembro de 2005?

P.S 2: A segunda provocação está na epígrafe: ele nunca gostou dos Smiths!

26 de abril de 2006

A volta das Irmãs da Misericórdia

A escuridão está voltando para os trópicos. Os morcegos estão começando a se mover, arranhando ansiosamente com suas pequenas garras os galhos das árvores úmidas da mata atlântica, seus radares já visualizam a chegada de uma das bandas mais idolatradas pelos góticos de todo o mundo: Sisters Of Mercy. Comemorando a longa vida de 25 anos, o Sisters traz sua música e sua história, que fizeram relativo sucesso principalmente na década de 80 e início de 90, para a cidade de São Paulo, dia 19 de Maio na Via Funchal, e para o Rio de Janeiro, dia 20 de Maio no Circo Voador.

Apesar da costumeira referencia pela mídia e pelos seus admiradores, a banda sempre rejeitou o rótulo de banda gótica. Mas é compreensível a associação da banda pela maioria ao movimento gótico graças ao vocal profundo e grave de Andrew Eldritch, um dos criadores da banda e à frente dela até hoje, aos climas soturnos, pesados e lentos de algumas canções, as capas escuras de seus discos e ep´s e a própria imagem visual e de atitude que a banda passa.

Acontece que as influências do Sisters vão muito além deste clima sombrio, existiram e existe toda uma leva de bandas e estilo e imagem no mundo pop-rock que remetem ao Sisters of Mercy. Com apenas três discos lançados (First And Last And Always de 85, Floodland de 87 e Vision Thing de 90), são admirados ainda hoje por muitos que não são exatamente simpatizantes do movimento gótico e sim pelo som extremamente original e potente da banda.

Sem sobretudo e nem coturno, o Sisters of Mercy é a banda que vou seguir no mês de Maio.

16 de abril de 2006

Os Números Mágicos da Fofura Extrema

Sabe aqueles dias que você só quer chegar em casa, se afundar no sofá e fechar os olhos, pensando na vida (ou no que essa safada acabou de te aprontar)? Muitos diriam que a companhia perfeita pra uma hora dessas seria um six-pack de cerveja geladíssima, enquanto outros prefeririam a companhia de um cachorrinho de estimação ou uma grande barra de chocolate. Pois eu digo que a companhia ideal não pode ser outra senão o disco The Magic Numbers, da banda de mesmo nome.

É incrível o que este quarteto de gordinhos consegue fazer com a minha cabeça. É como se metade das ondas sonoras que saem das músicas deles distraíssem meu cérebro e os meus sentidos, enquanto a outra metade faz uma faxina geral e uma massagem completa no meu interior. Lembra dos Ursinhos Carinhosos, que podiam soltar uns "poderes" das suas barrigas? Eles sozinhos tinham poder, mas quando dois ou mais se juntavam é que a coisa ficava avassaladora de verdade, certo? O mesmo pode ser dito das vozes de
Angela Gannon (percussão, melodica e vocais), Romeo Stodart (guitarra, vocais, banjo e piano) e sua irmã Michele Stodart (baixo, vocais e teclado). Sozinhas, podem surtir efeitos calmantes, mas somente as três juntas, em sopreposições, duetos e backin' vocals, conseguiriam acalmar a maior das feras. Eu entraria na jaula de um leão selvagem, se tocassem The Magic Numbers bem alto perto do bichano.

É até estranho descrever o quanto essa banda é fofa. Pra saber do que eu estou falando, você precisa assistir aos clipes deles. Se o CD é a identidade do quarteto, é o cartão de visitas, os clipes são aquela noite que você passa acordado junto de alguém, conversando trivialidades só pra acabar descobrindo o quanto aquela pessoa é incrível. "Love's a Game", além de ser, na minha opinião, a música mais linda e fofa do mundo, é a trilha sonora dos quatro minutos e cinquenta segundos de vídeo mais sinceros que eu já tive o prazer de ouvir. A primeira vez que eu vi esse clipe, eu senti uma coisa muito estranha. Foi à uma e pouco da madrugada, no MTV Lab. Aquele clipe irradiou uma luz tão grande, um sentimento tão sincero, tão simples mas ao mesmo tempo tão completo, que todos os clipes que passaram antes e depois dele pareceram completamente sem graça (até porque, de fato, a maioria era).


Quando alguém que é fã de No Use For a Name, Millencolin, The Ataris e Less Than Jake se derrete todo em elogios à uma banda que pode ser descrita apenas como "extremamente linda e fofa", isso só pode significar duas coisas: ou a banda é realmente um achado, ou esse alguém está ficando mais, digamos, sensível.

17 de março de 2006

Mais uma lista de melhores de 2005

Deus! Perdoai os que embaçam na publicação de textos para este blog. E perdoai aqueles que escrevem listas de melhores discos do ano. Para que servem estas listas de melhores discos do ano se não para podermos discordar da ausência de nossos preferidos ou a presença de bandas não tão preferidas?
Acontece que o cara esperto que curte música sabe como utilizar este tipo de lista. Depois de reclamar e xingar muito, ele vai atrás daquele disco que nunca ouviu falar e conferir se o disco presta. Mas cada um com sua opinião.
Não escutei tudo que foi lançado em 2005 no mundo rock/pop e nem pretendo, mas influenciado por um amigo que me pediu uma lista dos dez melhores de 2005 para escrever em seu blog, vou aproveitar e massagear meu ego colocando aqui a minha lista de melhores discos de 2005, em ordem alfabética.

Art Brut
Bang Bang Rock And Roll
O punk e o post-punk da década de 70 e do início de 80 imortalizado por bandas como Vibrators, Damned e The Fall. O sotaque inglês é fenomenal, a faixa My Little Brother tem uma parte que é assim: "My little brother just discovered rock'n'roll, there's a noise in his head and he's out of control".

Bloc Party
Silent Alarm
Influências do post-punk, mas com uma levada mais new wave e dançante, sem deixar o punk de lado, sem antes não colocar uma dose de personalidade. Bateria e baixo comandando o ritmo e abrindo caminho para as guitarras fazerem seu papel, as vezes melancólico, as vezes cheio de swing.

Clap Your Hands Say Yeah
Clap Your Hands Say Yeah
O vocalista tem o mesmo timbre de voz de David Byrne do Talking Heads, mas canta de um jeito um tanto esquisito. E o legal é perceber que sua voz encaixa perfeitamente ao ótimo som cheio de camadas sonoras do restante da banda.


Epoxies
Stop The Future
Lembranças. Epoxies me faz lembrar a seminal banda punk X-Ray Spex, só que com um sintetizador no lugar do saxofone. O disco inteiro é uma festa. O poderoso vocal de Roxy Epoxy traz a essencia e a energia de uma Siouxsie. Uma banda que poderia ter surgido em 77 abrindo shows para o Blondie sem fazer feio.

Heartless Bastards
Stairs And Elevators
A voz de Erika, a vocalista, é uma pedra crua, garageira e preciosa que, junto com o restante dos Bastards, me fizeram voltar a acreditar na simplicidade do rockão de garagem. Quem um dia lembra de Mark Lanegan e seu Screaming Trees, sabe do que estou falando. A voz forte hipnotiza enquanto a simplicidade do melhor do rock cru, sem frescuras, nos faz imaginar "essa banda ao vivo deve arrebentar".

The King Khan & BBQ Show
The King Khan & BBQ Show
BBQ toca bateria, guitarra, canta, tudo ao mesmo tempo. King Khan é o indiano maluco que toca guitarra, canta, dança, tudo ao mesmo tempo. Banda de duas pessoas tem de monte, mas banda de duas pessoas que faz o autêntico rock'n'roll ser mais barulhento e mais garageiro só tem o King Khan & BBQ Show.

Ladytron
Witching Hour
A primeira coisa que pensei ao ouvir Witching Hour foi como tudo funciona tão bem. A segunda foi como todas as canções deste disco são lindas e possuem uma sonoridade agradável para qualquer momento do dia e da noite. Um electro-rock denso, dark, cheio de sensações retrô saídas do forno.

Sleater-Kinney
The Woods
Guitarras super pesadas, melodias nervosas, gritos enfurecidos, canções que não são pra qualquer ouvido. As meninas voltaram com tudo, nada de melodias fáceis. O som do Sleater-Kinney arranha e incomoda como os bons discos de rock precisam ser.

The Soviettes
III
Soviettes é uma banda que lembra em alguns momentos o punk rock feito no início dos anos 90 pela banda Greenday, mas que tem aquela identidade própria que foge fácil do estigma "mais uma banda de punk rock". Os três acordes, a energia e a forma de cantar em canções punk rock com aquele algo mais, a atitude e a diversão.

Wolf Parade
Apologies To the Queen Mary
Algumas canções me fizeram lembrar Black Francis e o seu Pixies. Outras me fizeram lembrar Arcade Fire, graças à grande quantidade de camadas sonoras e seus instrumentos de cordas, percussão, os backing vocals, a alegria misturada com a melancolia. Pixies e Arcade Fire. Tá esperando o que pra escutar Wolf Parade?

23 de fevereiro de 2006

Contradições

Para contradizer o texto anterior e evitar que este blog fique sem nenhuma postagem no mês de fevereiro (que horror, esses meus amigos me decepcionam!) segue uma listinha dos shows que mais doeram perder:

- The Cure Hollywood Rock, 21/01/1996 - por razões que desconheço, preferi ver os shows do dia 20.
- Belle and Sebastian último Free Jazz, 2001 - não consegui comprar ingresso, eles se esgotaram em 2 dias.
- Pixies CPF 2004 - tudo culpa do festival que não soube organizar a venda dos ingressos pela internet, quando acertaram a situação, fiquei com raiva e não comprei.
- David Bowie Close up Planet, 1997 - não tinha companhia...
- U2 turnê Vertigo, 2006 - preferi não ir porque não estava animada, mas depois que ouvi dizer que foi melhor que 1998...

Tem mais, com certeza, e não os coloquei, necessariamente, na ordem de dor.Mas não tiraria o Cure do topo da lista.

17 de janeiro de 2006

Listas

Para quebrar o protocolo, se é que há algum neste blog que é, ás vezes, uma esbórnia porque podemos falar de qualquer coisa, apesar de sermos monotemáticos e preferirmos sempre a música. O primeiro post de 2006 é a tentativa de se fazer uma lista que não é exatamente sobre os melhores de 2005.

Descobri que não sou muito boa para fazer listas. Tem gente que faz listas das melhores músicas e discos do ano, da última década, de todos os tempos...eu nem sequer consigo dizer quais são os melhores discos dos Beatles, apesar de adorar o Sgt. Peppers, Rubber Soul e Revolver. Não consigo formar uma opinião sobre Kid A e Amnesiac do Radiohead, ou de qual é a minha banda preferida. Na verdade, eu deveria saber essas coisas (e já estou remediando isso), afinal, é a área que mais me interessa na vida e são duas bandas de que gosto muito, sem falar na importância notória delas.
Engraçado que foi o Death and Dethroned disco do Jesus and Mary Chain que me despertou essas conclusões brilhantes que muito provavelmente não me levarão a lugar nenhum. No fim, mais importante do que conhecer música e estar informada sobre tudo o que está rolando de legal ou de meia boca no meio musical é saber que importância ela tem para a vida.
Eu não sei se saberia falar da minha vida sem relacionar os momentos mais importantes com aquilo que ouço. Neste momento, Never saw it coming, sétima música de Death and Dethroned embala a dúvida sobre se continuarei trabalhando ou se terei de me retirar.
Aliás, devia ser proibido fazer música tristinha assim. Músicas que falam de amor, de histórias mal resolvidas, com esse vocalzinho aparentemente blasé, guitarras mais calmas e acho até que mais tristes em relação aos discos mais revoltadinhos do Jesus. Para piorar tem Sometimes Always com a Hope Sandoval que aparece para fazer o duelo da mulher contra o homem que a deixou e resolveu voltar...
Não sei fazer listas, mas acho que sei como a música conta histórias de vida, de momentos pessoais e até sociais. Tudo isso piora a situação de pessoas que tem memória afetiva boa demais, como eu.
Conheço pessoas que ouvem Cocteau Twins e ficam tristes, não é o meu caso. Conheço gente que chora ouvindo There´s a light that never goes out do Smiths, entre as quais me incluo. Outros escutam hardcore quando estão revoltados, este momento,para mim, é propício para ouvir a Courtney Love berrando em Violet ou começar a berrar junto com o Frank Black em qualquer música do Pixies (menos Here comes your man e La la love you).
Seymour Stein, do Belle and Sebastian é perfeita para me emocionar sem ficar triste. Depois de assistir Lost in Traslation, Just like honey do Jesus and Mary Chain começou a fazer parte deste time. Outra que é uma artilheira de longa data é Pictures of you, do sempre querido The Cure - banda que ainda não tive o prazer de ver ao vivo e uma das poucas que gostaria de estar na primeira fila aos pés de Robert Smith! (nossa, peguei pesado agora...) Alma Matters do Morrissey me arranca lágrimas, por que ele tem de cantar daquele jeito? Aliás não à toa o Morrissey não tem fãs e sim devotos, seguidores.
Todo mundo deve ter uma música que serve de cutucão. Aquela que dá um pedala na gente como um amigo de verdade faria quando a gente fica se achando a pior pessoa do mundo. A minha? If you want sing out, sing out do Cat Stevens que já chamei de mantra em um texto que escrevi em algum lugar. O cara conseguiu fazer uma letra otimista sem ser ridícula, completamente possível de se clocar em prática na vida e que de certa forma invoca a liberdade. Aliás, percebi que as músicas dele ficam mais fortes ainda quando as ouvimos assistindo Harold and Maude (Ensina-me a viver). A trilha sonora é inteira de músicas do cara que se converteu ao islamismo, depois de quase morrer e funcionam como um terceiro personagem da história.
Mas acho que o cara que tem o talento de me provocar quase todos os sentimentos é Mr. Nick Cave. Fico triste, choro, me emociono, me revolto... Lembro-me muito bem de quando ouvi The Boatman´s Call numa tarde fria e nublada de inverno ...essa é uma das lembranças musicais mais tristes que já tive e não tinha motivos aparentes para ficar triste.
Migrando um pouco para discos. Não posso deixar de citar dois nacionais, que são lindos, emocionantes, me arrancam lágrimas, sorrisos e são trilha sonora de uma história ótima que vivo há seis anos.Os discos: Amanhã é tarde do Fellini, que tenho autografado pelo Cadão Volpato e A vida é doce, do indefectível Lobão. E já que citei minha história pessoal faço logo o serviço completo, não posso esquecer o disco que me fez conhecer meu namorado, o blue álbum do Weezer.
Ah, sim tem músicas que gosto de ouvir quando estou com meus amigos em baladinhas que vão de New Order a Primal Scream. Fora as que uma das minhas turmas tocam no violão. Esse repertório é mais diverso, cantamos tanto Sit down do James como uma do Tim Maia que não lembro o nome.
São milhares de músicas.Milhares de momentos que não teriam a mesma graça sem trilha sonora. Muita coisa bacana que eu amo muito deixou de entrar aqui, se eu fosse continuar o texto viraria um tratado e como eu disse não sei fazer listas, sei narrar momentos e relacioná-los com os sons.