19 de dezembro de 2006

I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass

Um amigo disse mais ou menos o seguinte sobre o novo disco do Yo La Tengo : "Achei o disco muito variado, parece uma coletânea." Pois é, mal sabia ele que sua opinião cairia como uma luva para descrever o recém lançado I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass. E duvido que ele um dia chegou a imaginar que este comentário encaixaria como uma meia na abertura de um post no Indigesto. Mais um que vai ficar famoso após ser citado no blog.

A variedade de sons e estilos neste último disco do Yo La Tengo só reforça a idéia que sempre tive de Ira, Georgia e James : são nerds musicais. Cada música do novo disco parece que foi retirada de um disco à parte, cada uma conta sua própria história e influência, sem deixarem de fazer parte do universo Yo La Tengo.

A influência do Velvet Underground continua firme e forte, assim como as microfonias e as experimentações; as pitadas de free jazz nas baladas pop com vocais sussurrados continuam marcando presença, tudo junto em envolventes melodias. Nada é igual, nada é descartável em I Am Not Afraid Of You.


O rock da banda e o horizonte musical que as envolve foi ampliado com o acréscimo de um novo estilo: a soul music, na faixa Mr.Tough. Em Daphnia, um instrumental de oito minutos que parece ter sido tirado de alguma trilha para se tocar em uma sala de espera acolhedora. A faixa de abertura, Pass The Hatchet, I Think I'm Goodkind, é puro Yo La Tengo: onze minutos do mesmo ritmo poderoso de baixo e bateria, onze minutos de uma viagem pelas distorções da guitarra de Ira. Em I Should Have Known Better a banda nos presenteia com um rock quase punk que lembra a banda X. Em Watch Out For Me Ronnie, o punk rock dos Ramones com pitadas de rockabilly de garagem é a bola da vez.

Para mim, como fã de Yo La Tengo, o álbum I Am Not Afraid Of You está próximo da perfeição. Nele os três conseguiram unir em 15 faixas todos os 22 anos de existência da banda. Conseguiram presentear o ouvinte fazendo uma homenagem a si próprios: uma coletânea de músicas inéditas. Talvez o Yo La Tengo seja a única banda capaz de algo assim, sem parecerem pretensiosos, sendo eles mesmos e lançando um dos melhores discos de sua carreira.

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:yo la tengo:
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Mr.Tough e o groove do yo la tengo ao vivo

5 de dezembro de 2006

Lolita Punk Rocker

Karen O já está fazendo escola. Começam a pipocar as crias da estridente vocalista da ótima banda Yeah Yeah Yeahs. Jemina Pearl, da banda americana Be Your Own PET, é uma destas crias. O disco homônimo de estréia do Be Your Own PET é um dos discos mais bacanas de punk rock de garagem lançado nos últimos anos.

Sim, porque os roqueiros, tanto os moleques como os dinossauros, estão com dificuldade de fazer seus discos parecerem discos de rock. Para se fazer um disco que transborde rock'n'roll é preciso energia e vontade, mais do que uma produção limpa e pomposa. E com o avanço da tecnologia é mais fácil fazer um disco limpinho, com uma produção caprichada. E já que é fácil lançar um disco que agrade palmeirenses e corinthianos, acabam esquecendo de mostrar o verdadeiro sentido do rock, que é ficar exausto e respingar o suor das gravações nas caixas de som.

Be Your Own PET é justamente o que se procura em um disco de rock'n'roll: a produção é o menos importante. Quatro adolescentes - três caras (quem se importa?) e Jemina Pearl - arrebentam um som cru e honesto que sai com aquela sensação de que o negócio foi gravado ao vivo, sem cortes e interrupções. Um disco de 15 faixas, que dura não mais que 33 minutos, que sangram uma nas outras.

De porrada em porrada, acompanhamos a guitarra estridente e o nervosismo do baixo e da bateria do Be Your Own PET. E logo percebemos que quem comanda tudo é a garota de 17 anos Jemina Pearl, com sua poderosa voz e a suas letras que transbordam sexualidade e diversão - Fuuuuuun é o nome de uma das faixas - em uma mistura divertida de riot-girl adolescente com uma já madura e esperta sensibilidade feminina. Tudo o que queremos ouvir de uma lolita punk rocker.
E ai, vai encarar?

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:be your own pet:
:myspace:
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tocando ao vivo a faixa We Will Vacation, You Will Be My Parasole

4 de dezembro de 2006

Sinceridade Pop

Eu tenho que ser sincero antes de começar a escrever sobre o recente álbum da banda escocesa Belle & Sebastian, The Life Pursuit. Nunca me chamou muita atenção o que já escutei deles, seja vendo-os tocando ao vivo no Free Jazz, em 2001, seja ouvindo uma música ali e outra acolá pelos lugares e momentos da vida.

Até aparecer uma daquelas pessoas especiais com o The Life Pursuit. O disco me foi entregue junto com outros discos de Stan Getz e o do The Commitments, sem eu ter comentado se gostava ou não da Belle ou do Sebastian. Era uma mistura interessante de sentimentos: o disco alegre e direto do pop rock do Belle & Sebastian no meio de um vendaval de improvisos e caminhos variados do elaborado sax de Stan Getz. Sons e sentimentos mais ou menos relacionados com o que eu estava passando na época.

Navegando em um site de música gringa, acabei lendo o seguinte comentário feito por um destes gringos anônimos que habitam a internet: o The Life Pursuit é uma mistura de Morrissey com o pop rock dos anos 60 da banda The Monkees. E o gringo tinha razão. Na grudenta Another Sunny Day é possível perceber a simplicidade pop melancólica dos Smiths junto com a alegria pop saltitante dos Monkees.

Associar a ótima The Blues Are Still Blue com o delicioso glam rock de Marc Bolan e o seu T-Rex é garantia de sorrisos. Ao escutar Sukie In The Graveyard notasse a influência de um David Bowie que poderia estar cantando uma alegre melodia glam sobre uma garota que para se ver livre dos problemas, entre outras coisas, adora passear no cemitério. É agradável escutar estilos diferentes em um mesmo disco, ainda mais quando tudo se encaixa em melodias tão fáceis de se escutar. E estas melodias funcionam muito bem por todo o The Life Pursuit, até mesmo quando a banda experimenta um tranquilo soul na faixa Song For Sunshine.

Eu não imaginava que fosse mudar tão cedo de opinião sobre o Belle & Sebastian, mas com o The Life Pursuit eles conseguiram, graças ao pop sincero e as diversas e ótimas influências que a banda soube diluir tão bem ao seu som.

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:belle & sebastian:
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video clipe de The Blues Are Still Blue

18 de novembro de 2006

I´ve never seen a show like that before...

Then again the same old story
World will travel, oh so quickly
Travel first and lean towards this time.
Oh, I'll break them down, no mercy shown
Heaven knows, it's got to be this time
Watching her, these things she said
The times she cried, too frail to wake this time


Depois de 11 anos indo a shows, acreditei por um tempo que a ansiedade se tornaria coisa do passado já que a prática, teoricamente, acaba com a surpresa. Ainda bem que a gente se engana.

Há alguns meses eu disse que todas as minhas segundas-feiras seriam azuis até 14/11, dia da segunda apresentação do New Order, em São Paulo. Mal sabia eu que não só as segundas-feiras como os dias e noites se tornariam azulados e multicoloridos depois do show.

Ontem, durante quase duas horas me tornei uma adolescente ansiosa e emocionada como nunca acreditei ser possível. Se ano passado, tive a melhor surpresa em relação a shows com o Flaming Lips, ontem a

superação completa de qualquer expectativa aconteceu.

Junto a mais ou menos 6.000 pessoas, vi a banda que um dia compôs o Joy Division começar o show - que seria uma festa perfeita - com Crystal, que viria acompanhada de Regret - cuja letra já decorou uma das paredes do meu quarto - e mais tarde de Ceremony. Com esta seqüência foi impossível não se emocionar.E era apenas o começo...

Ao lado das caixas, do lado direito do palco do Via Funchal era possível ter uma boa visão do divertido Peter Hook que falava com as pessoas, sorria, cantava, fazia poses para as câmeras- e isso não é exagero das matérias veiculadas pelos meios de comunicação.

O aparentemente tímido Bernard Summer estava empolgado: cantava com gosto, falava com o público, dava uns gritos ? que às vezes eu não acreditava muito que viessem dele - e até dançou durante Bizarre Love Triangle quando estava livre da guitarra.

O discreto Stephen Morris fazia um trabalho quase matemático na sua bateria parte acústica, parte eletrônica. Perfeito!

Como se tudo isso fosse pouco Transmission veio como um tapa na orelha: seco, direto e inesquecível. Além dela e Ceremony, outros Joy Division ainda seriam ouvidos.

O público não estava unido ali apenas pela paixão por New Order e Joy Division, mas também por cantarem quase todas as canções, inclusive as novas como Waiting for the Sirens Call e a ótima Krafty.

Em algum momento, surgiu These Days. Outro Joy Division! Estava quase pedindo para me beliscarem para ter certeza de que aquilo era verdade.


A discoteca estava prestes a começar com as primeiras batidas de True Faith. Na seqüência, mais ou menos nessa ordem vieram Bizarre Love Triangle, a linda Temptation, Perfect Kiss que se transformaria na inesquecível, Blue Monday para matar a galera de dançar. Exagero de hits? Sim, mas era um show para fãs e todos ali queriam cantar junto com a banda e dançar até ficar exausto.

Paradinha. O primeiro bis vem com mais uma emoção forte: Atmosphere! Não esperava essa. Paralisei, sem acreditar no que via e ouvia. As luzes coloridas que giravam lentamente no ritmo das notas da canção, o público, a banda criaram a atmosfera mais emotiva que já vi num show. Nesse clima, impossível não sentir falta do vocal marcante de Ian Curtis e porque não de sua presença -por mais viajante que isso possa paracer. Se há alguma magia no mundo com certeza ela esteve por ali.

Ainda meio sem acreditar no que tinha ouvido, vi o New Order subir pela segunda vez ao palco para se despedir com Love will tear us apart.

Era o fim do melhor show que eu tive a sorte de ver. Não sei se haverá outro que consiga tomar este posto. A minha trilha sonora mental ainda está tomada por versos assim:

Oh, you´ve got green eyes/
Oh,you´ve got blue eyes/
Oh, you´ve got gray eyes/
And I´ve never seen anyone quite like you before...


E eu estou completamente atordoada, ainda.


PS:Tenho certeza que este foi o post mais deslumbrado que já coloquei aqui.Mas sei que outros como eu estão igualmente bobos. Na saída do show encontrei uma moça que conheci no dia que comprei os ingressos e ela me disse "valeu a pena cada gota de suor derramada". E eu completo: não só o suor, como a grana, o tempo, o cansaço e a recusa de algum convite para um bate volta até a praia no feriado do dia 15 valeram e valeriam novamente.

7 de novembro de 2006

Os anos 80 de Grant Lee-Phillips

Fui apresentado ao som folk do californiano Grant-Lee Phillips graças a dica dada pela minha amiga Cátia, deste mesmo blog. Ela adora o som do cara, portanto nada mais justo que ela mesma escrever sobre Grant. Acontece que Nineteeneighties, o último disco de Grant, lançado neste ano e ainda inédito no Brasil, é, para mim, um dos melhores discos de 2006. Então, Cátia, vou passar na sua frente e escrever sobre o cara, tudo bem?

Grant-Lee Phillips apareceu nos anos 90 com sua banda Grant Lee Buffalo e, se você fizer um esforço, vai lembrar do ótimo disco de 1993, Fuzzy, e o hit de mesmo nome que tocava nas rádios rock da época e onde - incrível imaginar hoje em dia - a MTV passava o clipe em sua programação diária.

No final da década de 90, Grant Lee deixa o Buffalo de lado e sai em carreira solo. Nineteeneighties é o quarto desta carreira solo e é o mais inusitado. Ele deixa de lado suas ótimas composições próprias e lança um disco apenas de covers de bandas vindas dos anos 80 que, segundo o próprio Grant, faziam parte de seu K7 oficial. Que saudade dos K7... Lembra quando gravávamos fitas com nossas músicas preferidas e saíamos ouvindo no walkman?

Acreditar na música de Grant Lee Phillips é muito fácil, é o tipo de artista que transmite sinceridade e honestidade na forma que canta e toca sua folk music. Sua voz é linda, não ouso nem querer comparar com nenhum cantor do passado, seria um pecado.

Nineteeneighties (um desafio: tente escrever bem rápido este nome!) me surpreendeu. Em vez de escolher covers obscuras que ninguém conheçe, como muitos artistas gostam de fazer quando decidem gravar uma cover, Grant foi sincero até o osso. Mesmo porque seria impossível negar a influência no rock de hoje de músicas como Killing Moon do Echo and The Bunnymen; So. Central Rain (I'm Sorry) do REM; The Eternal do Joy Division e Age Of Consent do segundo disco do New Order; Boys Don't Cry do The Cure e a seminal Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me do The Smiths.

Claro que o fato de eu ter crescido escutando algumas das bandas que Grant toca no disco me ajuda a gostar ainda mais de Nineteeneighties. As minhas preferidas : The Eternal do Joy Division, Killing Moon do Echo, Wave Of Mutilation do Pixies e City Of Refugee do Nick Cave. The Eternal é a mais melancólica de todo o disco, mantém o clima da original em um folk com violão e gaita, quase sentindo um Grant encarnando Ian Curtis; Com a belíssima Killing Moon, Grant me fez gostar mais de Echo, mesmo sem escutá-los muito; Em Wave of Mutilation ele conseguiu transformar uma de minhas preferidas do Pixies em um agradável folk hawaiano; Em City Of Refugee, Grant consegue dar uma acalmada em Nick Cave mas não consegue deixar de lado um inquieto violão para nos guiar : You Better Run, You Better Run To the City of The Refugee.

Um disco que resgata músicas influentes da genial safra dos anos 80, todas agora pertencentes à Grant-Lee Phillips e a sua voz, ao seu violão e ao seu disco: acústico, pessoal e sem perder um pingo da alma e identidade original. 11 faixas e 44 minutos de uma bela declaração de amor ao passado.
E aí, Cátia, gostou de Nineteeneighties?

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:grant lee-phillips:
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tocando ao vivo Age Of Consent do New Order

28 de outubro de 2006

Great Balls Of Fire !

eContinuando a campanha de divulgação dos melhores álbuns de 2006, este é um daqueles cujas faixas não tocarão em nenhuma rádio e muito menos em pistas de dança. Os sites descolados de música moderna não vão fazer review e divulgação, como já constatei por aí, mesmo sendo um álbum obrigatório de purificação e iluminação de muitas almas perdidas : Jerry Lee Lewis, minha gente, "The Killer" em pessoa, com seus 71 anos, lança esta preciosidade chamada Last Man Standing. The Killer nos presenteia 21 clássicos que vão do rock and roll ao country ao blues e de volta ao rock and roll, com convidados mais do que especiais o acompanhando em cada faixa. Logo na primeira escutada foi fácil escolher algumas faixas preferidas, e elas imploram para serem divulgadas. Coitadas, mal sabem que eu faria qualquer coisa por elas.

A faixa que abre o disco, Rock And Roll, com Jimmy Page na guitarra é para mostrar logo de cara o que significa este disco. Nada mais que um dia na vida de Jerry Lee Lewis, sentado ao seu piano, tocando descompromissadamente à espera de alguns amigos e convidados. Eles vão chegando, dizem "Hey Jerry, vamos tocar aquela?". Tocam, se divertem a valer, dizem um "Hey Jerry, preciso ir andando, até a próxima". A porta se abre e o próximo camarada já chega sabendo o que é preciso fazer.

Uma das próximas faixas que me arrebatou foi Evening Grown, com Mick Jagger e Ron Wood. Jerry e Mick intercalam seus vocais de forma descontraída e divertida.
Que delícia é ouvi-los cantando While I'm waiting for your blonde hair to turn grey...

É algo que se nota em muitas faixas, Jerry brincando com seus convidados. É um menino, é um dos Pais, mostrando como se deve fazer um disco com clássicos do rock, do country e blues, sem exageros, simples, exatamente como as músicas originais vieram ao mundo.

O blues de You Don't Have To Go, com Neil Young, é memorável. Jerry, o seu incendiário piano, Neil, e sua estridente guitarra. Quem é o próximo, por favor, isto aqui está bom demais.

Em Sweet Little Sixteen, de Chuck Berry, outro Paizão do Rock, Jerry tem como convidado Ringo Starr. Sempre fui fã da voz de Ringo e aqui ele se junta a Jerry e me faz sorrir de orelha a orelha.

Para finalizar logo essa história de algumas de minhas favoritas, que tal escutar o blues Trouble in Mind com o piano de Jerry e a guitarra de Eric Clapton? Aqui a coisa não só funciona, como emociona.


Um disco sem frescuras, produzido na medida, tocado com paixão, longe de ser perfeito, graças aos céus, isto é Rock'n'Roll. Last Man Standing, de 2006, um disco de um dos caras que ajudou a montar todas as bases do que escutamos hoje, exatos cinquenta anos depois de lançar seu primeiro single, Crazy Arms/End Of The Road, de 1956.
Yeah, come on baby, whole lotta shakin' goin' on.
Botando pra quebrar, literalmente.

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:jerry lee lewis:
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tocando
You Don't Have To Go de Muddy Waters ao lado de Neil Young no David Letterman

25 de outubro de 2006

Premonições do Tim Festival 2006

O Tim Festival 2006 em São Paulo com as grandes atrações mudou de lugar (graças aos céus!): do Anhembi, que comporta 20.000 pessoas em céu aberto, foi para o Tom Brasil Nações Unidas que comporta 4.000 felizardos em lugar fechado, e vai rolar neste domingo, dia 29, dia de Eleição. Recomendo acordar cedinho, de preferência de ressaca, ir na seção votar qualquer coisa, seja lá qual a coisa de sua preferência, chegar em casa, voltar a dormir, acordar lá pela tarde e sair para o show.
Provavelmente é o que irei fazer no domingo, antes do show.
E aproveitando que estou nessa onda de premonição, muito provavelmente por causa do café com gosto estranho que acabei de tomar, vou tentar prever o que vai acontecer DURANTE o festival. Acho que vai ser mais ou menos assim que as coisas vão se desenrolar para mim e alguns amigos:

No carro, antes de chegar ao local do show:
- Ainda bem que o show não vai ser mais no Anhembi, estou tão feliz.
- É, lugar fechado, 4.000 pessoas... Comparado ao Anhembi...
- Anhembi é uma BOSTA !
- É.
- Tv On The Radio é pra tocar em lugar pequeno, seria um desperdício.
- Meu, eu tinha o ingresso para ver eles na choperia do Sesc Pompéia no ano passado e...
- Ah não! De novo ?! Você já contou essa história umas doze vezes....
- E o pai de um deles morreu e...
- ...doze vezes só hoje !

Já perto da entrada, à procura de MUITA cerveja ou algo que faça com que pessoas de 30 consigam aturar festivais de grande porte até o final:
- Será que já estão vendendo bebidas?
- A lei seca vai até que horas?
- Acho que até as cinco.
- De domingo?
- Depois das cinco tá tudo liberado.
- De domingo?
- Das 8h até as cinco da tarde.
- De domingo?
- Não, cinco para às nove da noite de quinta do mês que vem. Claro que é de domingo, PORRA !
- Olha! Uma tiazinha ali com um carrinho vendendo latinhas imundas de CRISTAL !
- Cristal ?!
- Tia, quanto é a latinha ?
- R$ 43.
- CARALHO !
- Que caro !
- É a Lei Seca, meu filho.
- Sabia que na época da Lei Seca, em Chicago, na década de 30, eles faziam uísques na banheira ?
- Eca, imagina então onde essa cerveja foi feita.

Dentro, já assistindo o Mombojó, a eclética banda de Recife:
- Legal o som deles.
- Fiz a maior confusão, imaginava que era uma banda de duas pessoas mas olha só...
- São: uma, duas... quatro, cinco...
- Bastante gente.
- São de Recife, muita coisa boa sai de lá. O Mangue Beat...
- E eles são bem novinhos.
- Parece que no site deles tem todas as músicas do primeiro disco pra abaixar.
- Massa !

Após o ótimo show do Mombojó, entra os novaiorquinos do Tv On The Radio:
- Puta MERDA, isso é muito bom !
- E eu nem tô bêbado pra curtir direito.
- Esse é um som bem diferente, tem tanta coisa junta, e não dá pra definir...
- É bem atmosférico.
- Atmosférico foi boa.
- Valeu.
- Tem um lance meio eletrônico também, mas sem exageros, na medida certa.
- Boa, sem exageros foi boa.
- Valeu.
- Puta MERDA, o último disco deles é muito bom !
- O primeiro deles também...
- Mas o último ficou mais acessível, não sei dizer, tem mais... gingado.
- Gingado foi péssima.
- Valeu.

O inesquecível show do Tv on The Radio dá lugar ao show da dupla do Thievery Corporation:
- É um som gostoso de ouvir, meio trip hop.
- É mesmo, pensei que era um negócio mais agitado, meio techno.
- Mas não é. Eles misturam umas coisas de outras bandas, samples, com coisas deles.
- Eles fazem remixes, são DJ's.
- Mas tem uns riffs meio acid jazz.
- Não sabia que você conhecia acid jazz. E que sabia falar riff.
- Cala a boca e dá um gole dessa cerveja.

Sai o Thievery Corporation, que dá lugar ao Yeah Yeah Yeahs de Karen O:
- Essa mina tem uma cara estranha.
- Olha a roupa dela, parece a Siouxsie.
- No último disco tem uma música que lembra Strokes.
- Quê? Cala a boca...
- O disco novo é mais ameno, menos cru que o primeiro.
- Cu ?
- Cru! De Crueza !
- Cu de framboeza ?
- No primeiro disco ela grita demais. No último disco ela canta.
- Cantando ou não, o show tá bom. Toda a banda tá se entregando.
- Rock'n'Roll ! Finalmente !
- Essa é do disco novo, eu acho.
- Rock'n'Roll ! YEAH !

Sai o rock do Yeah Yeah Yeahs e entra o techno dos parisienses do Daft Punk :
- U-hu! U-hu! Amo-os !
- Eu não sei o que esperar.
- Você não gosta ?
- Fui eu quem gritou "Rock'n'Roll ! YEAH !", você acha mesmo que eu iria gostar de techno ?
- Mas não é só isso. Tem rock, tem hip hop, tem house, tem...
- Rock? Onde? Se bem que o visual está legal, e o som também.
- Eles também são DJ's, pegam samples e misturam tudo, só que com essa batida TUM-TICH TUM-TICH TUM-TICH.
- Cala a boca! E me deixa dançar.

É, acho que entre altos e baixos, o Tim Festival deste domingo vai ser bem bacana.
Nos vemos lá!
E vote consciente.

Links:
site do Tim Festival 2006
Links das bandas:
site oficial do Daft Punk
site oficial do Mombojó
site oficial do Thievery Corporation
site oficial do TV On The Radio
site oficial do Yeah Yeah Yeahs

23 de outubro de 2006

Grandaddy e o Meu Provável Disco do Ano

Clic... Clic...

É o que se escuta no início de uma das músicas mais saborosas que já degustei. Now It's On é o nome da iguaria, ela é o prato de entrada do recheado álbum de 2003, Sumday, servido pelos chefs do Grandaddy, da modesta cidade de Modesto, Califórnia.

Algumas canções da banda, formada em 1992, colocam aquele sabor que falta a todos nós que sabemos a enorme diferença que existe em querer estar sozinho e se sentir solitário: se você gosta de relaxar, deitado ou dirigindo, de andar sem companhia, de olhar pela janela do ônibus e acompanhar a vida de todas aquelas pessoas passando numa velocidade qualquer, Grandaddy tem as canções com o tempero certo. Acho que é para isso que serve as bandas que tocam o denominado rock-folk espacial, e que cantam histórias sobre robôs melancólicos trabalhando numa noite escura em uma fábrica qualquer e sobre namoradas controladas por uma conservadora família.

Melodias fáceis de escutar e altamente assobiáveis: Doo Doo Doo Dit Doo é como a voz quase sussurrada de Jason Lytle inicia a canção The Group Who Couldn't Say, do álbum Sumday.

Infelizmente, para mim e tantos malucos que estão tentando entender o que estou escrevendo, o Grandaddy soltou, neste ano de 2006, seu canto do cisne. Chama-se Just Like The Fambly Cat, lançado em julho no Brasil pela Sum Records, e está alguns pontos de vantagem na frente dos concorrentes como melhor disco do ano. Canções como Jeez Louise, Summer... It's Gonne e Elevate Myself vão demorar para sair de meu cérebro, já que foram gravadas à ferro e fogo, sem dor alguma.

Mia Mia Mia Miau cantarola a voz tranquila de Jason Lytle em Where I'm Anymore.

Pode-se dizer que algumas das razões da banda resolver terminar foi o fato de que seus integrantes, avessos à mídia e em se expor, não estavam mais com o mesmo tesão de excursionar, a grana não entrando e suas músicas não tocando nos rádios não compensavam todo o stress. Simples assim.

I'll Never Return, nos diz Jason Lytle, numa voz quase apagada, na última canção do seu último disco com o Grandaddy.

Melhor assim, quem sabe, depois de um tempo com a banda já terminada, são descobertos e resolvem retornar em uma turnê caça-níquel que inclua o Brasil.
Seria perfeito!

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video clipe de Elevate Myself

17 de outubro de 2006

Vamos Cantar : Plugin de Letras de Música

Escutando sua música favorita no computador, você sente uma vontade louca de cantá-la junto com aquele cantorzinho inglês cheio de sotaque. Em vez de você sair à procura da letra da música pela internet, que tal se a própria aparecesse no seu player favorito, sem nenhum esforço?
Bem bacana, hein?


Já é possível acabar com este trabalho chato de ir atrás das letras pela internet. Se você usa o Winamp ou o Windows Media Player para escutar sua músicas no computador, já existe um plugin gratuito que vai facilitar muito a sua nova vida de cantor: o Lyrics Plugin.

Lyrics PluginFácil de baixar e instalar, este pequeno programa mostra em instantes a letra da música que você está ouvindo, direto no player. Você vai precisar estar conectado na internet para que o plugin possa achar a letra da música que estiver tocando. Existe um menu de opções, logo abaixo da letra, onde é possível editá-la e configurar cores de fundo e de fonte. Caso a letra da música não estiver disponível, você mesmo poderá procurá-la clicando em Search Google no menu de opções : ao achar a letra em algum site, é só copiá-la, voltar para o menu de opções e clicar em Edit. Uma janela irá abrir para que você cole a letra copiada. Clique em Save Changes e... voila!

Estou usando o plugin para o Windows Media Player e por enquanto está tudo funcionando muito bem. Se alguém resolver instalar e estiver tendo problemas, dê um grito! Ou use o comentário para tentarmos resolver o problema... cantando!

Link:
Lyrics Plugin

10 de outubro de 2006

E viva as Blondes !

Chega a ser deprimente a maneira como os pais deste filho pródigo se comportam, se ausentam. Eles fingem preocupação, dizem que vão voltar um dia, que já estão preparando o leitinho com nescau mas demoram dias para colocar a mamadeira na panelinha com água quente. É um desastre, repito, um descabimento.
Enfim, um dos papais está de volta com um restinho de nescau na mamadeira já meio morna, trazendo mais uma dica musical para os nossos orfãos queridos.

Indies? Nós?Anotem o nome desta banda inglesa que está prestes a estourar: The Long Blondes.

As três garotas e os dois rapazes que formam a banda estão preparando o lançamento de seu disco de estréia, agora em Novembro, e não vai ser pouca coisa. Suas músicas, até então, podem ser escutadas em singles independentes lançados desde a formação da banda, lá longe, em 2005. Em 2006 assinaram com a Rough Trade Records, gravadora mãe da Inglaterra que pariu bandas seminais como The Fall e The Smiths e que apresentou ao mundo bandas queridinhas de hoje como The Strokes, Belle & Sebastian e The Libertines.

O Long Blondes acaba de lançar o single Once And Never Again, pela Rough Trade, preparando terreno para o álbum Someone To Drive You Home. O som das Long Blondes é feito para dançar e dançar e dançar. Já as letras são puro drama-de-saias, como diz a letra do single Weekend Without Make Up :
another weekend without makeup
another evening to myself
well, i guess that i won't be having the time of my life tonight
where do you go when you've finished work?
As letras melancólicas passam pela influência de bandas clássicas de garotas dos anos 60 como The Ronettes e The Shirelles. Já o som segue o rastro e a tendência de bandas como Franz Ferdinand e Kaiser Chiefs, é aquela batida que todo mundo já conheçe, a new-wave com pitadinhas eletrônicas dançante temperadas com um gostoso punk rock, como era o Blondie no seu início, vocais a lá The Slits, uma linha de baixo post-punk e por ai vai.

Abaixe Weekend Without Make Up pelo Soulseek (existe outro programa pra abaixar mp3 que presta?) e se imagine dançando na pista. Depois pergunte ao DJ de sua balada se ele conheçe Long Blondes. Se ele não conheçer, pobre diabo, fale para ele parar de tocar Strokes e que comece a ler urgente o Indigesto.

Links :
The Long Blondes
Rough Trade Records
Soulseek
video clipe da faixa Weekend Without Makeup: