29 de novembro de 2005

Surpresas, expectativas e som embolado


Por que raios a qualidade de som de festivais, em lugares abertos, só melhora na hora da última banda?

Nisso o
Claro que é rock não conseguiu se diferenciar de outros festivais novos ou velhos. Infelizmente. Penso como teria sido melhor o show do Sonic Youth se o som estivesse lindo como estava na hora do Nine Inch Nails.
E por falar em NIN que show foi aquele?
Visualmente, o palco
e a iluminação estavam perfeitos, o som também. Como se não bastasse Trent Reznor chega mandando Wish como um socão no queixo.
A banda teve tudo ao seu favor. Foi um puta show que também abriu meus olhos e ouvidos para um som que nunca dei muita bola e que daqui para frente com certeza vou prestar mais atenção.
Esse festival foi um dos que mais me surpreendeu. Minhas expectativas estavam todas sobre Iggy Pop e Sonic Youth, mas os shows de que mais gostei foram NIN e Flaming Lips ( e mais ainda do Flaming Lips). Gosto muito da Nação Zumbi, inclusive, foi ótimo entrar na Chácara do Jockey e vê-los no palco, mas fui ao CQÉR ver as atrações principais.


Logo depois da Nação, o Fantômas começou a tocar no palco 2. Não entendi nada. Esta hora estava procurando um lugar legal para ver o Flaming Lips. Sim, eu queria ver o show. E fiquei surpresa com a preocupação do Wayne Coyne para que tudo desse certo no show, fiquei alegre como uma criança ao ver os bichinhos de pelúcia, aquele solzinho fofo, os balões coloridos, o papel picado, o Wayne na bolha e a interação entre ele e o público. O repertório estava ótimo e incluiu dois covers improváveis,pelo menos para mim, Bohemian Rhapsody (Queen) e War Pigs (Black Sabbath) o mais bacana foi que
eu consegui ver o show inteiro do alto do meu 1,50 cm de altura. Isso é inédito. Normalmente, não vejo quase nada porque sempre entra alguém enorme na minha frente. Antes de começar o show até pensei que eu deveria fazer como a maioria das mulheres em shows e baladas de São Paulo: andar com aquelas botas plataforma de quase 20 cm, isso já me ajudaria bastante. Mas não precisei de plataforma, vi tudo: os bichinhos, o telão sincronizado com as músicas (viva Kraftwerk que faz isso há tempos e é maravilhoso!) Só me arrependo de não ter tentado ver tudo lá da frente, soube que estava tranqüilo e tinha uma galera bacana vendo o show.
Resultado: estou apaixonada por Flaming Lips. Nunca fui grande conhecedora e tampuco fã.
Se voltarem, com certeza, serei uma das primeiras a comprar o ingresso. Ah, e salve, salve Brian Molko que foi quem sugeriu a banda para tocar no Claro e ainda mandou uma boa definição do que é ver um show do Flaming Lips: é como ir a uma festa de criança viajando de ácido.

Depois de toda a fofura psicodélica do FL, a crueza do tiozinho mais inteiro, mais visceral e mais rock´n roll de todos: Iggy Pop.
E se no show anterior consegui ver tudo, nesse comecei a desejar a plataforma de novo. Vi o Iggy de muito longe, ele era quase que uma miniatura no palco. Uma miniatura que dava vários pulos usava calça justa e que no fim do show estava quase com a bunda de fora depois de ter caído nos braços do povo, literalmente.
Curti muito ouvir No Fun, I wanna be your dog e ouvi-lo reclamar, puto, após a penúltima música do show. Mas não me envolvi muito. Não sei explicar por quê.


Na hora do Sonic Youth, duas coisas em comum com o show do Iggy Pop: não me envolvi tanto e continuei pensando na plataforma de quase 20 cm que me ajudaria enxergar melhor o casal cabeludo Thurston Moore e Kim Gordon (Ela é fantástica! Quando eu estava aprendendo a tocar baixo queria ser ela quando eu crescesse). Nessa hora a decepção com o som do festival cresceu. Quase não dava para ouvir os agudos, o som estava abafado as loucuras guitarrísticas de Thurston Moore e Lee Arnaldo não ficaram nítidas como eles e nós que estávamos ouvindo merecíamos.
Por isso, sou obrigada a concordar com um amigo que diz que além de pagarmos caro nos contentamos com um som ruim só porque, dificilmente, veríamos bandas bacanas como essas aqui de novo.

Som meia boca na maior parte dos shows, ingresso caro, filas enormes para a cerveja noves fora line up ousado, pontualidade, boa quantidade de banheiros, boa localização dos palcos. O Claro que é Rock teve saldo positivo, mas precisa ficar mais atento com a qualidade do som, afinal manter essa tradição ruim
é sacanagem com o público e com as bandas também. O único festival que vi na vida que manteve som honesto da primeira a última banda foi o Tim Festival 2004, mas foi em lugar fechado. Já é hora dessa história mudar. Que tudo melhore ano que vem e que as bandas sejam tão bacanas como as da primeira edição.

O próximo post vem com o último grande show que verei este ano, o Pearl Jam que traz o Mudhoney abrindo todos os shows da turnê brasileira (corro o grande risco de gostar mais da banda de abertura que a atração principal, semana que vem eu conto).

28 de novembro de 2005

Saiu o CD novo do Pettit Project!!!

Como assim, "não conheço"? É uma banda legal! E é do Canadá, que nem esse tal de Arcade Fire aí que eu tenho certeza que tu ouve!

Eles jogam PlayStation e falam de amor do jeito mais nerd possível.

Na verdade eles me conquistaram quando compararam "a menina que não deu atenção ao menino" a vilões de videogame, como Wario ou Dr. Willy ("You've gotta be an enemy like Wario or Doctor Willy") na música "99 Lives", do primeiro CD deles ("Cheerockarcy", 2004). Essa, aliás, é a música mais nerd do mundo, na minha humilde opinião. Tem até solinho de sintetizador imitando musiquinha do Mario. Nem Blind Guardian supera.

O estilo deles é PowerPop. Tem muito vocalzinho feminino, muito barulhinho maluco de sintetizador e muuuuuuita guitarra pesada pra equilibrar as coisas. Mas você não precisa se preocupar com isso se tiver o mínimo de sensibilidade pra entender que amar é mais difícil do que parece, principalmente pra quem é nerd. Se você ler a letra de "Simple Song, Simple Plan" (essa não entrou em nenhum CD) e não se emocionar com a historinha, você com certeza é o tipo de pessoa que encontra um cachorro na rua e dá um belo chutão na barriga. Seu insensível.

Mas, enfim. Eles acabaram de lançar CD novo ("6 Week Summer Vacation in Hell") e o disquinho já está à venda nesse endereço. Quinze doletas.

Mas é claro que você pode procurar o CD na Internet. Afinal, o importante é ouvir e gostar, né?

PS.: Alguém aí falou em Kuat de Laranja?

16 de novembro de 2005

We Want The Airwaves

Mr.Programmer I got my hammer and I'm gonna smash my smash my radio!Fazia tempo que não se via tantos shows de qualidade num mesmo ano em solo paulista. De medalhões como Pearl Jam e Strokes, divindades como o MC5 e Iggy Pop, metaleiros das antigas como o Judas Priest e Whitesnake, e até os obscuros e sensacionais King Khan & BBQ. Os roqueiros da cidade de São Paulo tiveram um ano cheio de escolhas, como há muito tempo não se via.

E eis que, contradizendo toda esta enchurrada rock'n'roll na cidade, surge a notícia de que o dial 107.3 da rádio mais roqueira da cidade está para ser comprada e substituída por uma programação voltada 24 horas para o esporte. A idéia do Grupo Bandeirante (que faz parte de um conglomerado já detentor de rádios como a 89fm, Alpha e Nativa) era tirar a Brasil 2000 do ar e colocar em seu lugar a Rádio Band Sports.

Voltando dois anos atrás, com Kid Vinil tomando as rédeas artísticas da rádio, escutar a Brasil 2000 era um prazer. Por um curto período, a Brasil 2000 voltou a ser uma rádio voltada para um público mais segmentado, com cara de college radio, tocando músicas diferenciadas, sendo a única rádio a abrir espaço para o som independente. A Brasil 2000 nos fez acreditar que existia vida inteligente no rádio. Mas logo no fim de 2004 as coisas começaram a mudar. A entrada de músicas comerciais, a saída de programas comandados pelo Kid Vinil (o principal mentor da mudança para um seguimento menos comercial), a entrada de quatro horas diárias de notícias produzidas pela Band News, a saída do programa Garagem (agora no UOL) em 2005, mostraram ao ouvinte mais antenado que alguma coisa já estava muito podre no reino da Dinamarca.

Os boatos sobre a venda da Brasil 2000 diziam que a rádio, já em Dezembro, deixaria de existir. Entretanto, alguns fatores impedem que esta venda seja concretizada. Por ser uma emissora educativa, uma rádio mantida pela Faculdade Anhembi Morumbi, ela não pode ser vendida. Portanto, acredito eu, a novelinha da venda da rádio ainda vai se desenrolar por algum tempo. Tanto que já tem gente dizendo que a rádio, na verdade, vai continuar com sua programação atual, apresentando apenas algumas mudanças.

Bastidores, dinheiro e luta pela audiência à parte, eu ando cada vez mais convencido de que se você quiser ouvir uma rádio que toque um som que é a sua cara, a internet é o caminho. Não estou falando de abaixar mp3 pelo Soulseek, mas sim ouvir as rádios online como a Woxy e a Indie 103.1 (confira os links aqui mesmo no Indigesto). A americana Woxy, por exemplo, sabendo da existencia de um público cativo aqui do Brasil, começou há algum tempo a colocar no ar vinhetas em português. O único programa que prestava no rádio paulista, o Garagem, agora está no UOL, sendo transmitido online e, o que é melhor, o programa agora é filmado.

Claro que para ter acesso a isto é preciso ter um micro e uma boa conexão, mas este é o preço a se pagar se o desejo for escutar algo diferenciado e bem distante das notícias, das músicas populares e dos jabás.

15 de novembro de 2005

"Como foi o TIM Festival em São Paulo?"

arcade fire no rioTenho de voltar a postar alguma coisa antes do Indigesto ficar famoso e começar a faturar alto. Do jeito que a coisa está, a Cátia vai poder reclamar de uma porcentagem maior nos lucros vindouros. Já com a porcentagem do Fábio não me preocupo muito, é só pagar um Kuat com laranja que é mais do que ele merece. Brincadeirinhas e atrasos à parte, o Tim Festival 2005 com os Strokes já foi e, antes de postar algo sobre o Claro que é Roque, quero deixar registrado algumas coisinhas sobre minha passagem pelo Tim. Se quiser pular o blá-blá-blá, no final do post coloquei as notas dos shows, de zero a 10.

Chegamos ao local do festival com a idéia de explorar as "especialidades" da redondeza. Após um de nós três saborear um misto quente suspeito, um outro uma latinha de cerveja quente por R$2,50 e o terceiro ficar apenas divagando em tomar uma dose de um bom whisky, fomos para a enorme fila ouvir o final da apresentação da Nação Zumbi. Escutei as últimas músicas do lado de fora, na fila para entrar, orientado por vendedores de capa de chuva que a vendiam por R$3 no final da fila e por R$10 no início da fila. Minhas dúvidas quanto ao local ser ou não um lugar aberto acabaram ali. Pensei muito se não valeria a pena levar uma capa."Dane-se", pensei, se minha amiga não estava nem aí pra aguaceira que poderia vir a cair, não sou eu que vou demonstrar toda a fraqueza de um homem precavido.

Entrando no local, teve início o show da inglesa MIA. Não fazia idéia do que esperar até começar a ouvir uma batida eletrônica que me fez lembrar muito a batida do funk carioca. Havia algumas percussões tribais, mas que pareciam estar ali apenas como figurantes. Todas as músicas eram ritmadas pelo "batidão". O som era todo vindo de um DJ e de sua mesa, enquanto MIA cantava seu rap e dançava uma coreografia que, pra mim, era inútil, naquele palco gigantesco. Não entendi nada e acabei gritando com o dedo do meio estendido : "Eu quero é ROQUE!"

Fora MIA que aí vem o Arcade Fire. Ajudado pela amiga fanática por Arcade, fomos abrindo espaço entre a multidão, chegando quase a encostar na grade.
Abro aqui um parenteses. A amiga encostou-se à grade, viu a turminha VIP que estava ali e nos deixou revoltados ao contar que havia um espaço enorme na frente do palco destinado aos Vips e, adivinhe, poucos "vips". Só no Brasil que organizadores vendem 30.000 ingressos para a pista custando R$120 e não dá a chance para estes, que são os que pagam todo o Festival, chegar perto do palco, apenas para agradar alguns 100 mais afortunados. Fecha o parenteses.
Wake Up! Essa foi a música que deu início ao fantástico show da banda canadense Arcade Fire, uma das bandas mais originais a surgir nos últimos anos. Nove ou oito integrantes vestidos de preto, instrumentos de cordas, de percussão, acordeão, vocais, ótimas músicas, simpatia e muita energia. Suas músicas, de camadas melancólicas, alegres, dançantes, enérgicas, emotivas, fazem com que a banda funcione muito bem ao vivo. O Arcade Fire nos da aquela chance de se surpreender com a performance enérgica de seus integrantes, do tesão que eles têm em estarem ali tocando, e também nos deixa livres para dançar muito, esquecendo a gostosa bagunça que acontece no palco. Rebellion (Lies) foi a canção escolhida para fechar o show, um dos melhores já visto por este que vos escreve. A ótima apresentação da banda foi confirmada por pessoas que estavam ali apenas para ver os Strokes e que acabaram por se surpreender com o Arcade Fire.

O show do Kings Of Leon serviu como uma pausa para mais umas cervejas, umas mijadas e para sentar no chão e conversar, à espera dos Strokes.

94,7% das pessoas que ali estavam foram para ver os Strokes, portanto chegar na linha de frente foi bem mais difícil desta vez. Os inimigos eram muitos, todos querendo um pedaçinho de terra que fosse. E lá vem os rapazes, e lá vêm os gritos. Histéricos. De moças e rapazes. Gritos que me fizeram lembrar aqueles shows dos Beatles onde não se houve a banda tocando e sim apenas os gritos que parecem estar saindo por um orifício bem menor que a boca. Um cara do meu lado não parava de gritar a plenos pulmões.
Abrindo mais um parenteses. O problema que antes eu apenas suspeitava agora ficou mais cristalino, o som que vinha do palco estava muito baixo, bem longe do que se pode esperar de um festival para trinta mil pessoas. Parenteses fechado.
A banda entrou no palco e, se ali no palco estivesse um telão em vez da banda tocando, a diferença seria mínima. Eu senti falta daquele algo mais que nos faz estar ali pra ver uma banda ao vivo. Os Strokes não tem este algo a mais. O que ajuda os Strokes é a quantidade de músicas boas e de hits. E os fãns. Gosto de seus três discos de estúdio. Discos com melodias que me faz lembrar o pós-punk de bandas como Television e a simplicidade cheia de energia de Lou Reed, tudo muito bem distribuído em um som próprio. Eu gostaria de ter visto um pouco desta energia, que funciona tão bem nos discos, ser extrapolada no palco. Talvez com um peso maior, com mais pegada, não sei dizer. É o que sempre espero de uma banda com influências tão próximas do punk rock. O que importa mesmo é que o show pragmático dos Strokes funcionou muito bem para a grande maioria dos presentes, que estavam ali apenas para ouvirem os Strokes e todos os seus hits.

A capa de chuva não fez falta alguma, ainda bem.

Notas:
Nação Zumbi: não se aplica
Mia: 0.3
Arcade Fire: 9.6
Kings Of Leon: não se aplica
Strokes: 6.9

30 de outubro de 2005

Shows de bandas que não somos fãs

É muito interessante ir a um show de uma banda que pouco se conhece. Geralmente, a gente fica meio perdido por não conhecer as músicas pelas primeiras notas ou se sente um pouco estranho por estar entre algumas pessoas que cantam tudo em coro. Mas por outro lado é legal pra caramba porque não há compromisso e sim o lance de estar disposto a se deixar levar. Coisa não muito difícil de acontecer quando a banda a subir no palco é o Television, da qual eu nunca fui fã. Conheço algumas músicas, em especial Call Mr. Lee e tenho muito bem gravado nos meus arquivos musicais cerebrais o lindo solo de guitarra de Mr. Tom Verlaine.
Esse é um cara à parte. No geral os guitarristas curtem fazer tipo, fazem careta, uma certa pose ao tocarem e às vezes os que mais fazem pose são os que menos merecem atenção. Mas Tom Verlaine, não. Ele dá um show sozinho, toca pra caralho como se nada estivesse acontecendo. São várias notas num pequeno compasso sem o virtuosismo punheteiro e chato de muitos. Não é só a técnica e sim a capacidade de juntá-la a emoção, além de saber a hora de arrasar num solo ou simplesmente fazer uns barulhinhos. (Nunca gostei de virtuoses, no geral só se exibem, mas não contagiam...).Vale super a pena ver um show de uma banda importante mesmo que pouco conhecida para nós.

Durante o show
Cenas interessantes: nunca vi uma concentração tão grande de all star converse por metro quadrado antes -no qual o meu par se incluía. Enquanto Verlaine nos jogava na cara seus lindos solos e brincadeiras guitarrísticas com a maior cara de paisagem, as centenas de pares de all star se movimentavam, um casal dançava insinuante e dois perdidos, quase desconhecidos assistiam ao show. Era o duo franco-alemão, Stereo Total que tocariam no dia seguinte na mesma Choperia do Sesc Pompéia.
Ele, um cara grandão, cabelo desgrenhado, ela ...não vou falar de outra mulher para não parecer má,mas que ela é assim, hum, estranha, isso é. Assistiam ao show mais ou menos como eu:aparentava ser a primeira vez, não cantarolavam nenhuma música,permaneceram estáticos por todo o show, -eu pelo menos me mexi um pouco e cantei Call Mr.Lee.
As perguntas possíveis são: eles assistem qualquer show com essa frieza? É coisa de europeu? Eles não são fãs do Television? Ok,isso pouco importa.
Em paralelo via-se fãs de todos os tipos. Os moderninhos/estilosos ?acho que esse grupo passa a maior parte do tempo preocupado com o visual - os básicos (acho que me incluo nesse), os que visivelmente gostam da banda, são mais velhos, cantam as músicas e com certeza vieram direto do trabalho o que justifica a bolsa/pasta no ombro e a camisa social manga curta. Sem falar nos mais velhos locões que tinham cara de que curtiram a banda no fim dos anos 70 e não têm e, provavelmente, nunca tiveram nada de hiponga.
No fim das contas acho que poucas coisas são tão boas na vida como ir a shows. A gente se diverte ouvindo o som e vendo a banda, se desconecta dos dramas sócio-existenciais, morre de rir observando a diversidade de pessoas, mesmo que não nos identifiquemos com elas, pensamos como os europeus se divertem...É muito bom e que venham outros.

Pearl Jam, parte III e Mudhoney


O anúncio do início da venda de ingressos para o show do Pearl Jam parece ter botado fim a longa novela que assistimos capítulo a capítulo sobre se a banda tocaria ou não, no Pacaembu.
E com isso veio a loucura. Na quarta-feira, primeiro dia da venda de ingressos, as quatro capitais juntas -São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre- somavam o total de 10.000 ingressos vendidos. Parecia pouco, até eu ver na internet, sexta de manhã que dos 80.000 ingressos colocados a venda em São Paulo 25.000 já tinham sido vendidos.
A surpresa ficou ainda maior quando soube por um amigo, que fez a gentileza de ir comprar o meu ingresso, que os ingressos meia-entrada do dia 02/12 já tinham se esgotado. No sábado, não havia mais um mísero bilhete de estudante disponível.
Hoje, domingo, vi na internet que a metade dos ingressos para as apresentações de São Paulo, ou seja 40.000, já se foram. Nada de tão surpreendente pela velocidade com que os ingressos foram acabando.
Sexta-feira ao voltar do trabalho, subi a Avenida Paulista, que para variar estava bem travada, culpa do excesso de carros e da chuva, vi que a fila na FNAC Paulista estava quase chegando na calçada.
As perguntas que não calam são as seguintes: há 13 anos vários fãs esperam a vinda do Pearl Jam para o Brasil,mas será que o público que estava à espera desde 1992 é mesmo hoje em dia? Quem são essas pessoas? É o tempo de espera o principal responsável por essa corrida ou as rádios que estão martelando o assunto o tempo todo?
Mas disso tudo o maior presente, e que ainda estou custando a acreditar, é que o Mudhoney vai abrir todos os shows do Pearl Jam no Brasil. Há quem ache que era o Pearl Jam que deveria abrir para o Mudhoney -se duvidar até o Eddie Vedder concordaria com isso.
O Mudhoney já passou por aqui e Mark Arm esteve no Brasil há pouco tempo com o MC5. O Pearl Jam todo mundo já sabe.... Mas juntas é a primeira vez. O mais interessante seria vê-las separadas.São pegadas diferentes e públicos diferentes. A quantidade de pessoas que conheço que vão ao show do Pearl Jam e nunca ouviram Mudhoney - alguns nem nunca ouviram falar...um sacrilégio! - é enorme. Já que elas vêm juntas é agradecer, aproveitar e pensar anos depois que o segundo semestre de 2005 foi histórico em quantidade e qualidade de shows internacionais.

22 de outubro de 2005

Novela e coisas que não entendo

Semanas se passaram e a novela Pearl Jam continua. Apesar de o prefeito José Serra ter autorizado o uso do estádio do Pacaembú para o show, a CIE Brasil responsável pela vinda da banda ao Brasil ainda não deu a última palavra sobre a decisão de Serra sobre o uso do estádio no período das 19h as 21h45.
No começo eram duas datas confirmadas para o estádio do Pacaembú, até aparecer um show da Mix no meio do caminho para enfurecer os moradores do bairro e fazer o prefeito socar a mesa e dizer que shows estavam proíbidos para o local a apartir daquele momento. Aí começou o pânico de fãs -que como eu, estão à espera do show há uns 13 anos - de terem que ir para outras capitais para ver a banda tocar, por causa da hipótese de cancelamento do show em São Paulo.
A encrenca resultou numa enxurrada de e-mails direcionados ao prefeito, um blog que há umas 2 semanas já tinha recolhido mais de 3.500 assinaturas de fãs pedindo a liberação do Pacaembú e até uma concentração de fãs na porta da prefeitura.Um dos problemas para se fechar um lugar para a realização do show é que o Pearl Jam não toca em espaços com capacidade superior a 40 mil pessoas, parece que já aconteceram "tragédias" em locais que concentraram públicos maiores que esse em shows deles.O desfecho da novela deve acontecer essa semana. (Dedinhos cruzados!)

Mudando de assunto...
Não consigo entender o louco entusiasmo das pessoas pelo Strokes. A banda é legal, muito bom para dançar na balada,mas... é só.

Também não consigo entender o porquê do desejo incontrolável de transformar o Arcade Fire em "hype" como diria o apaixonado Lúcio Ribeiro. Apesar de eu estar me apaixonando por Funeral, a cada ouvida.


Já estou com o ingresso do Claro que é Rock em punho, esperando ainda, tranqüilamente ,o dia em que verei Iggy & the Stooges, Flaming Lips,com o homem bolha (haha), Sonic Youth e o psicho Trent Reznor e seu Nine Inch Nails todos juntos.

Agora é esperar o post do Fred contando como foi o Tim Festival Edição Especial -SP.

21 de setembro de 2005

Essa é para lavar a alma!


Essa eu não poderia deixar passar batido: Flaming Lips, Sonic Youth, Iggy Pop & Stooges, Nine Inch Nails , no Claro que é Rock, é para matar de alegria qualquer fã tupiniquim de música alternativa. Mais duas bandas completam as atrações internacionais: Suicidal Tendencies e Good Charlote. Aparentemente, vai ser no velho e massacrante esquema de maratona porque tudo isso rola no dia 26 de novembro, num lugar nunca antes explorado para eventos desse tipo, a Chácara do Jockey, no Morumbi. Dia 27 é a vez dos cariocas se divertirem, na Cidade do rock. Quando soube da confirmação do Nine Inch Nails não imaginei que as bandas que completariam o elenco do CQÉR seriam deste nível. Sinceramente,esperava bandas menores mas não menos legais,como o Interpol por exemplo. Os shows nacionais ficam por conta da velha e boa Nação Zumbi, Cachorro Grande e das bandas escolhidas pela organização do festival durante a turnê do Placebo, em maio.
Os ingressos começam a ser vendidos na primeira semana de outubro.É torcer para a facada não ser tão grande.

CRF

Quando não erram pela falta é pelo excesso. Ano passado foi o alvoroço pelo Pixies e um planejamento errado desde a hora de vender ingresso. Era site fora do ar, link de venda bloqueado no horário em que os ingressos começariam a ser vendidos -de acordo com a divulgação dos organizadores-, filas quilométricas em Curtiba e um lugar pequeno demais para a avidez de fãs que desejavam ver o retorno e a histórica vinda do Pixies ao Brasil.
Resultado: o show foi transferido para a Pedreira Paulo Leminski ,mais ingressos foram postos à venda para a felicidade daqueles que já estavam curtindo a tristeza de perder um grande show. A terceira edição do CRF,antes CPF,, traz a história ao contrário. Da grande Pedreira o evento foi transferido para um lugar menor,o Curitiba Master Hall. Do alvoroço provocado pelo Pixies vemos a pouca empolgação dos fãs do Weezer que é a atração principal do CRF. E ao invéz de ingressos em falta,
ingressos que sobram aos montes.
Se para o Weezer a procura está pequena, como estará a procura para Mercury Rev e Raveonettes? Os motivos para esse "fracasso" seriam o excesso de shows nesse segundo semestre? O último disco meia boca do Weezer? O preço do ingresso+viagem+hospedagem na capital paranaense???? Ou tudo isso junto? É torcer para o CRF conseguir fazer tudo dar certo ano que vem, porque os organizadores devem estar meio cansados de erros seguidos (e nós também).

9 de setembro de 2005

Porque eu quero ver o show do Pearl Jam


O dia que milhares de pessoas ,inclusive eu, esperavam há anos finalmente vai chegar e está até marcado. Dois de dezembro,no Pacaembú. Sim, incrivelmente estou falando do Pearl Jam. A primeira banda decente que curti na vida, depois da minha fase queima filme em que ouvia metal (nossa ! parece que isso é lenda...se tiver alguém aí que curta metal, me perdoe). "Ten" foi o primeiro vinil que comprei juntando a grana do lanche da escola.Ainda lembro que comprei o disco num dia depois da aula, numa loja que vendia todos os gêneros musicais, mas que dava um certo espaço para o Rock,porque os vinis ficavam expostos na parede da loja.
Isso foi em meados de 1992. Quando, supostamente, da galera que eu conhecia, só eu conhecia a banda (que pretensão!). "Alive", era o primeiro clipe do Pearl Jam que rolava meio que perdido na programação da MTV - naquela época a recepção do canal era horrível, por isso a pretensão de achar que só eu conhecia a banda.
Aquela imagem preto e branco com uma onda sendo a primeira cena do clipe, em seguida, um riff de guitarra marcante e umas cenas toscas de show que preenchiam todo o espaço da música ficaram retidos na minha memória musical.

Depois disso as minhas anteninhas ficaram bem ligadas para tudo o que vinha do Pearl Jam e também para tudo que vinha de Seatle. Como conseqüência disso conheci o Nirvana,que logo caiu nas graças de todo mundo- só anos mais tarde eu entenderia por quê- o Alice in Chains,o Soundgarden, mais tarde o ótimo Mudhoney e até o Screaming Trees.
Se a primeira música que me chamou atenção foi "Alive" depois vieram "Even Flow", "Jeremy" e "Black" -passei a detestar as últimas duas porque tocaram à exaustão,na MTV e depois em algumas rádios. Comprei o disco conhecendo praticamente duas músicas, naquela época não tinha internet, MP3, nem na imaginação .
Lembro-me bem do especial Seattle apresentado pelo Gastão na MTV, no qual rolaram algumas músicas do Acústico do Pearl Jam. Claro que neste dia estava com controle remoto em punho e VHS devidamente no video cassete esperando a hora H!

Ao mesmo tempo que aquilo era muito legal, passou a me irritar, depois, o fato de o assunto ser apenas Seattle, Pearl Jam e Nirvana, principalmente. Ouvir as músicas rolando em rádios como Transamerica, Jovem Pan me desagradou e principalmente à exaustão como acontecia.
Nessa altura a banda que eu achava que só eu conhecia já tinha caído no gosto do povo e inclusive uma moda pegou: as indefectíveis camisas de flanela apareceram com força acompanhadas de cabelos compridos, de calças e tênis esfolados -qto mais podre melhor!
Aos poucos eu comecei a me encher e voltar a minha atenção para outros sons embora continuasse a gostar da banda.Passada a febre das bandas principais de Seattle e a morte de Kurt Coubain,que querendo ou não marcou o fim da grande onda,deixei o Pearl Jam de lado para valer.Mas ficava alerta a cada saída de disco novo. Ouvi um a um, de Ten a Yeld,este último até com certo atraso.Hoje confesso que perdi um pouco da seqüência da discografia do Pearl Jam.
Com certeza, o "amor" que tinha pela banda não é mais o mesmo,mas a vontade de vê-la ao vivo não morreu .De certa forma fiz uma promessa ingênua para mim mesma,numa época ingênua ,de que veria o Pearl Jam se um dia viesse tocar aqui, não importava o preço do ingresso.O que eu não contava é que eles viessem num momento em que minha situação financeira não é muito diferente de quando "...(i was) sittin' home alone at age thirteen..."
Seja como for quero estar no Pacaembú, dia 02/12, para lembrar velhos e ingênuos tempos.Yeah!

18 de agosto de 2005

NiN no Brasil

trent reznorEsse ano vai servir para lavar a alma... Pelo menos em matéria de shows. Depois da sessão nostalgia com Marky Ramone e a sessão histórica com MC5, me aparece a notícia de que o demente Trent Reznor e seu Nine Inch Nails estão vindo tocar em novembro nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro para uma sessão, digamos, psicopata.

O ano era de 1993 quando escutei NIN pela primeira vez. Lembro de ter lido em algum lugar que o NIN era, na verdade, uma banda de um homem só, o já citado Trent Reznor. Foi ao escutar o primeiro trabalho de Reznor, Pretty Hate Machine de 1989, o que para muitos é, com razão, o mais calmo e "acessível" trabalho do NIN, que percebi como a música eletrônica podia ser algo muito além de música feita para se tocar em pistas. Ela também podia ser introspectiva, insana, dolorida e, porque não, dançante. Os álbuns seguintes de Reznor são uma história à parte, mais agressivos, com mais guitarras, mais influentes. Sujeitos como Marylin Manson e bandas como Korn não existiriam sem o NIN para influência-los. Infelizmente, diriam alguns.

O fato é que o cara que morou e gravou o disco The Downward Spiral na mansão em que a atriz Sharon State foi morta pelo psicopata Charles Manson está vindo aí. Entendeu agora por que chamei a vinda do NIN de sessão psicopata e Trent Reznor de demente? Histórias como estas são normais na obra de Reznor, sempre envolvido no lado mais sombrio da psique humana. E é assim que Reznor faz seus ótimos discos, escrevendo sobre dores torturantes e violentas causadas por alguma paixão perdida.

16 de agosto de 2005

MC5 e o velho Rock'n'Roll, baibe !

wayne kramerNeste último sábado, dia 13 de Agosto, numa antiga fábrica maquiada para suportar eventos, no bairro industrial da Lapa, uma das bandas mais influentes da história se apresentou para um público de mais ou menos 1500 felizardos, ávidos por rock'n'roll. O DKT/MC5 e o convidado Mark Arm, vocalista do Mudhoney, ofereceram um show histórico, simples, enérgico.

Todas as bandas escaladas representavam o que há de mais tradicional e influente no rock nos últimos trinta anos. Isto é, muito punk, surf music e rock de garagem. Nada de música eletrônica, de teclados, nada do novo rock, de som moderno, "Nada de chubi-chubi-chubiruba", como disse muito bem um amigo. Uma pena os sets terem sido muito curtos, Pocket Shows de no máximo 45 minutos para cada banda, enquanto que o set do DKT/MC5 teve mais de uma hora.

Meu destaque vai para os Autoramas com suas influências de Man Or Astro-Man e Ramones; o New York Dolls paulista, Forgotten Boys, sempre direto, sem frescuras; Los Pirata com seu surf-punk-folk cantado em portunhol; o punk rock do Objeto Amarelo e suas letras divertidas e estranhas; os gaúchos do não menos divertido Irmãos Rocha! com seu punk rock das antigas; e o hard-core do Muzzarelas e suas bombinhas ninja. A parte negativa ficou para a acústica que, em praticamente todos os shows, foi um grande problema. O som dos instrumentos estava todo misturado, parecendo com um radinho de pilha AM/FM ligado no máximo. O mais curioso é que no show de algumas bandas a acústica ficou boa, em especial no show do Los Pirata e do DKT/MC5. Provavelmente o problema tenha sido causado pela pressa da organização, sem dar chance às bandas fazerem uma simples passagem de som.

Quando o DKT/MC5 entrou já passava das 3 da madrugada e nada mais importava. Ver o público cantando junto as influentes e, ao mesmo, deconhecidas músicas do MC5 foi emocionante. O senhor garganta Mark Arm gritava como nunca, foi perfeito em sua modesta posição de colocar pra fora toda a energia revolucionária cantada há mais de 30 anos atrás pelo falecido Rob Tyner. Wayne Kramer dividia com Mark a tarefa dos vocais, sempre muito simpático com o público. O mesmo Kramer, a certa altura do show, separou a platéia, pedindo que cada um cantasse um trecho e, logo depois, pediu que todos cantassem juntos, inflamando a platéia ao discursar "With unity, we have power!". O MC5 trouxe, nem que por um instante, um poquinho da atitude politizada que sempre marcou a banda na década de 60. Voltaram para dois bis antes de finalmente irem embora.

Queria deixar só mais uma notinha sobre o Campari... Ô liquidozinho estranho esse campari, parece um xarope de groselha. Será por isso que botam um monte de gelo, pra disfarçar o gosto ruim?