18 de novembro de 2006

I´ve never seen a show like that before...

Then again the same old story
World will travel, oh so quickly
Travel first and lean towards this time.
Oh, I'll break them down, no mercy shown
Heaven knows, it's got to be this time
Watching her, these things she said
The times she cried, too frail to wake this time


Depois de 11 anos indo a shows, acreditei por um tempo que a ansiedade se tornaria coisa do passado já que a prática, teoricamente, acaba com a surpresa. Ainda bem que a gente se engana.

Há alguns meses eu disse que todas as minhas segundas-feiras seriam azuis até 14/11, dia da segunda apresentação do New Order, em São Paulo. Mal sabia eu que não só as segundas-feiras como os dias e noites se tornariam azulados e multicoloridos depois do show.

Ontem, durante quase duas horas me tornei uma adolescente ansiosa e emocionada como nunca acreditei ser possível. Se ano passado, tive a melhor surpresa em relação a shows com o Flaming Lips, ontem a

superação completa de qualquer expectativa aconteceu.

Junto a mais ou menos 6.000 pessoas, vi a banda que um dia compôs o Joy Division começar o show - que seria uma festa perfeita - com Crystal, que viria acompanhada de Regret - cuja letra já decorou uma das paredes do meu quarto - e mais tarde de Ceremony. Com esta seqüência foi impossível não se emocionar.E era apenas o começo...

Ao lado das caixas, do lado direito do palco do Via Funchal era possível ter uma boa visão do divertido Peter Hook que falava com as pessoas, sorria, cantava, fazia poses para as câmeras- e isso não é exagero das matérias veiculadas pelos meios de comunicação.

O aparentemente tímido Bernard Summer estava empolgado: cantava com gosto, falava com o público, dava uns gritos ? que às vezes eu não acreditava muito que viessem dele - e até dançou durante Bizarre Love Triangle quando estava livre da guitarra.

O discreto Stephen Morris fazia um trabalho quase matemático na sua bateria parte acústica, parte eletrônica. Perfeito!

Como se tudo isso fosse pouco Transmission veio como um tapa na orelha: seco, direto e inesquecível. Além dela e Ceremony, outros Joy Division ainda seriam ouvidos.

O público não estava unido ali apenas pela paixão por New Order e Joy Division, mas também por cantarem quase todas as canções, inclusive as novas como Waiting for the Sirens Call e a ótima Krafty.

Em algum momento, surgiu These Days. Outro Joy Division! Estava quase pedindo para me beliscarem para ter certeza de que aquilo era verdade.


A discoteca estava prestes a começar com as primeiras batidas de True Faith. Na seqüência, mais ou menos nessa ordem vieram Bizarre Love Triangle, a linda Temptation, Perfect Kiss que se transformaria na inesquecível, Blue Monday para matar a galera de dançar. Exagero de hits? Sim, mas era um show para fãs e todos ali queriam cantar junto com a banda e dançar até ficar exausto.

Paradinha. O primeiro bis vem com mais uma emoção forte: Atmosphere! Não esperava essa. Paralisei, sem acreditar no que via e ouvia. As luzes coloridas que giravam lentamente no ritmo das notas da canção, o público, a banda criaram a atmosfera mais emotiva que já vi num show. Nesse clima, impossível não sentir falta do vocal marcante de Ian Curtis e porque não de sua presença -por mais viajante que isso possa paracer. Se há alguma magia no mundo com certeza ela esteve por ali.

Ainda meio sem acreditar no que tinha ouvido, vi o New Order subir pela segunda vez ao palco para se despedir com Love will tear us apart.

Era o fim do melhor show que eu tive a sorte de ver. Não sei se haverá outro que consiga tomar este posto. A minha trilha sonora mental ainda está tomada por versos assim:

Oh, you´ve got green eyes/
Oh,you´ve got blue eyes/
Oh, you´ve got gray eyes/
And I´ve never seen anyone quite like you before...


E eu estou completamente atordoada, ainda.


PS:Tenho certeza que este foi o post mais deslumbrado que já coloquei aqui.Mas sei que outros como eu estão igualmente bobos. Na saída do show encontrei uma moça que conheci no dia que comprei os ingressos e ela me disse "valeu a pena cada gota de suor derramada". E eu completo: não só o suor, como a grana, o tempo, o cansaço e a recusa de algum convite para um bate volta até a praia no feriado do dia 15 valeram e valeriam novamente.

7 de novembro de 2006

Os anos 80 de Grant Lee-Phillips

Fui apresentado ao som folk do californiano Grant-Lee Phillips graças a dica dada pela minha amiga Cátia, deste mesmo blog. Ela adora o som do cara, portanto nada mais justo que ela mesma escrever sobre Grant. Acontece que Nineteeneighties, o último disco de Grant, lançado neste ano e ainda inédito no Brasil, é, para mim, um dos melhores discos de 2006. Então, Cátia, vou passar na sua frente e escrever sobre o cara, tudo bem?

Grant-Lee Phillips apareceu nos anos 90 com sua banda Grant Lee Buffalo e, se você fizer um esforço, vai lembrar do ótimo disco de 1993, Fuzzy, e o hit de mesmo nome que tocava nas rádios rock da época e onde - incrível imaginar hoje em dia - a MTV passava o clipe em sua programação diária.

No final da década de 90, Grant Lee deixa o Buffalo de lado e sai em carreira solo. Nineteeneighties é o quarto desta carreira solo e é o mais inusitado. Ele deixa de lado suas ótimas composições próprias e lança um disco apenas de covers de bandas vindas dos anos 80 que, segundo o próprio Grant, faziam parte de seu K7 oficial. Que saudade dos K7... Lembra quando gravávamos fitas com nossas músicas preferidas e saíamos ouvindo no walkman?

Acreditar na música de Grant Lee Phillips é muito fácil, é o tipo de artista que transmite sinceridade e honestidade na forma que canta e toca sua folk music. Sua voz é linda, não ouso nem querer comparar com nenhum cantor do passado, seria um pecado.

Nineteeneighties (um desafio: tente escrever bem rápido este nome!) me surpreendeu. Em vez de escolher covers obscuras que ninguém conheçe, como muitos artistas gostam de fazer quando decidem gravar uma cover, Grant foi sincero até o osso. Mesmo porque seria impossível negar a influência no rock de hoje de músicas como Killing Moon do Echo and The Bunnymen; So. Central Rain (I'm Sorry) do REM; The Eternal do Joy Division e Age Of Consent do segundo disco do New Order; Boys Don't Cry do The Cure e a seminal Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me do The Smiths.

Claro que o fato de eu ter crescido escutando algumas das bandas que Grant toca no disco me ajuda a gostar ainda mais de Nineteeneighties. As minhas preferidas : The Eternal do Joy Division, Killing Moon do Echo, Wave Of Mutilation do Pixies e City Of Refugee do Nick Cave. The Eternal é a mais melancólica de todo o disco, mantém o clima da original em um folk com violão e gaita, quase sentindo um Grant encarnando Ian Curtis; Com a belíssima Killing Moon, Grant me fez gostar mais de Echo, mesmo sem escutá-los muito; Em Wave of Mutilation ele conseguiu transformar uma de minhas preferidas do Pixies em um agradável folk hawaiano; Em City Of Refugee, Grant consegue dar uma acalmada em Nick Cave mas não consegue deixar de lado um inquieto violão para nos guiar : You Better Run, You Better Run To the City of The Refugee.

Um disco que resgata músicas influentes da genial safra dos anos 80, todas agora pertencentes à Grant-Lee Phillips e a sua voz, ao seu violão e ao seu disco: acústico, pessoal e sem perder um pingo da alma e identidade original. 11 faixas e 44 minutos de uma bela declaração de amor ao passado.
E aí, Cátia, gostou de Nineteeneighties?

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:grant lee-phillips:
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tocando ao vivo Age Of Consent do New Order

28 de outubro de 2006

Great Balls Of Fire !

eContinuando a campanha de divulgação dos melhores álbuns de 2006, este é um daqueles cujas faixas não tocarão em nenhuma rádio e muito menos em pistas de dança. Os sites descolados de música moderna não vão fazer review e divulgação, como já constatei por aí, mesmo sendo um álbum obrigatório de purificação e iluminação de muitas almas perdidas : Jerry Lee Lewis, minha gente, "The Killer" em pessoa, com seus 71 anos, lança esta preciosidade chamada Last Man Standing. The Killer nos presenteia 21 clássicos que vão do rock and roll ao country ao blues e de volta ao rock and roll, com convidados mais do que especiais o acompanhando em cada faixa. Logo na primeira escutada foi fácil escolher algumas faixas preferidas, e elas imploram para serem divulgadas. Coitadas, mal sabem que eu faria qualquer coisa por elas.

A faixa que abre o disco, Rock And Roll, com Jimmy Page na guitarra é para mostrar logo de cara o que significa este disco. Nada mais que um dia na vida de Jerry Lee Lewis, sentado ao seu piano, tocando descompromissadamente à espera de alguns amigos e convidados. Eles vão chegando, dizem "Hey Jerry, vamos tocar aquela?". Tocam, se divertem a valer, dizem um "Hey Jerry, preciso ir andando, até a próxima". A porta se abre e o próximo camarada já chega sabendo o que é preciso fazer.

Uma das próximas faixas que me arrebatou foi Evening Grown, com Mick Jagger e Ron Wood. Jerry e Mick intercalam seus vocais de forma descontraída e divertida.
Que delícia é ouvi-los cantando While I'm waiting for your blonde hair to turn grey...

É algo que se nota em muitas faixas, Jerry brincando com seus convidados. É um menino, é um dos Pais, mostrando como se deve fazer um disco com clássicos do rock, do country e blues, sem exageros, simples, exatamente como as músicas originais vieram ao mundo.

O blues de You Don't Have To Go, com Neil Young, é memorável. Jerry, o seu incendiário piano, Neil, e sua estridente guitarra. Quem é o próximo, por favor, isto aqui está bom demais.

Em Sweet Little Sixteen, de Chuck Berry, outro Paizão do Rock, Jerry tem como convidado Ringo Starr. Sempre fui fã da voz de Ringo e aqui ele se junta a Jerry e me faz sorrir de orelha a orelha.

Para finalizar logo essa história de algumas de minhas favoritas, que tal escutar o blues Trouble in Mind com o piano de Jerry e a guitarra de Eric Clapton? Aqui a coisa não só funciona, como emociona.


Um disco sem frescuras, produzido na medida, tocado com paixão, longe de ser perfeito, graças aos céus, isto é Rock'n'Roll. Last Man Standing, de 2006, um disco de um dos caras que ajudou a montar todas as bases do que escutamos hoje, exatos cinquenta anos depois de lançar seu primeiro single, Crazy Arms/End Of The Road, de 1956.
Yeah, come on baby, whole lotta shakin' goin' on.
Botando pra quebrar, literalmente.

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:jerry lee lewis:
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tocando
You Don't Have To Go de Muddy Waters ao lado de Neil Young no David Letterman

25 de outubro de 2006

Premonições do Tim Festival 2006

O Tim Festival 2006 em São Paulo com as grandes atrações mudou de lugar (graças aos céus!): do Anhembi, que comporta 20.000 pessoas em céu aberto, foi para o Tom Brasil Nações Unidas que comporta 4.000 felizardos em lugar fechado, e vai rolar neste domingo, dia 29, dia de Eleição. Recomendo acordar cedinho, de preferência de ressaca, ir na seção votar qualquer coisa, seja lá qual a coisa de sua preferência, chegar em casa, voltar a dormir, acordar lá pela tarde e sair para o show.
Provavelmente é o que irei fazer no domingo, antes do show.
E aproveitando que estou nessa onda de premonição, muito provavelmente por causa do café com gosto estranho que acabei de tomar, vou tentar prever o que vai acontecer DURANTE o festival. Acho que vai ser mais ou menos assim que as coisas vão se desenrolar para mim e alguns amigos:

No carro, antes de chegar ao local do show:
- Ainda bem que o show não vai ser mais no Anhembi, estou tão feliz.
- É, lugar fechado, 4.000 pessoas... Comparado ao Anhembi...
- Anhembi é uma BOSTA !
- É.
- Tv On The Radio é pra tocar em lugar pequeno, seria um desperdício.
- Meu, eu tinha o ingresso para ver eles na choperia do Sesc Pompéia no ano passado e...
- Ah não! De novo ?! Você já contou essa história umas doze vezes....
- E o pai de um deles morreu e...
- ...doze vezes só hoje !

Já perto da entrada, à procura de MUITA cerveja ou algo que faça com que pessoas de 30 consigam aturar festivais de grande porte até o final:
- Será que já estão vendendo bebidas?
- A lei seca vai até que horas?
- Acho que até as cinco.
- De domingo?
- Depois das cinco tá tudo liberado.
- De domingo?
- Das 8h até as cinco da tarde.
- De domingo?
- Não, cinco para às nove da noite de quinta do mês que vem. Claro que é de domingo, PORRA !
- Olha! Uma tiazinha ali com um carrinho vendendo latinhas imundas de CRISTAL !
- Cristal ?!
- Tia, quanto é a latinha ?
- R$ 43.
- CARALHO !
- Que caro !
- É a Lei Seca, meu filho.
- Sabia que na época da Lei Seca, em Chicago, na década de 30, eles faziam uísques na banheira ?
- Eca, imagina então onde essa cerveja foi feita.

Dentro, já assistindo o Mombojó, a eclética banda de Recife:
- Legal o som deles.
- Fiz a maior confusão, imaginava que era uma banda de duas pessoas mas olha só...
- São: uma, duas... quatro, cinco...
- Bastante gente.
- São de Recife, muita coisa boa sai de lá. O Mangue Beat...
- E eles são bem novinhos.
- Parece que no site deles tem todas as músicas do primeiro disco pra abaixar.
- Massa !

Após o ótimo show do Mombojó, entra os novaiorquinos do Tv On The Radio:
- Puta MERDA, isso é muito bom !
- E eu nem tô bêbado pra curtir direito.
- Esse é um som bem diferente, tem tanta coisa junta, e não dá pra definir...
- É bem atmosférico.
- Atmosférico foi boa.
- Valeu.
- Tem um lance meio eletrônico também, mas sem exageros, na medida certa.
- Boa, sem exageros foi boa.
- Valeu.
- Puta MERDA, o último disco deles é muito bom !
- O primeiro deles também...
- Mas o último ficou mais acessível, não sei dizer, tem mais... gingado.
- Gingado foi péssima.
- Valeu.

O inesquecível show do Tv on The Radio dá lugar ao show da dupla do Thievery Corporation:
- É um som gostoso de ouvir, meio trip hop.
- É mesmo, pensei que era um negócio mais agitado, meio techno.
- Mas não é. Eles misturam umas coisas de outras bandas, samples, com coisas deles.
- Eles fazem remixes, são DJ's.
- Mas tem uns riffs meio acid jazz.
- Não sabia que você conhecia acid jazz. E que sabia falar riff.
- Cala a boca e dá um gole dessa cerveja.

Sai o Thievery Corporation, que dá lugar ao Yeah Yeah Yeahs de Karen O:
- Essa mina tem uma cara estranha.
- Olha a roupa dela, parece a Siouxsie.
- No último disco tem uma música que lembra Strokes.
- Quê? Cala a boca...
- O disco novo é mais ameno, menos cru que o primeiro.
- Cu ?
- Cru! De Crueza !
- Cu de framboeza ?
- No primeiro disco ela grita demais. No último disco ela canta.
- Cantando ou não, o show tá bom. Toda a banda tá se entregando.
- Rock'n'Roll ! Finalmente !
- Essa é do disco novo, eu acho.
- Rock'n'Roll ! YEAH !

Sai o rock do Yeah Yeah Yeahs e entra o techno dos parisienses do Daft Punk :
- U-hu! U-hu! Amo-os !
- Eu não sei o que esperar.
- Você não gosta ?
- Fui eu quem gritou "Rock'n'Roll ! YEAH !", você acha mesmo que eu iria gostar de techno ?
- Mas não é só isso. Tem rock, tem hip hop, tem house, tem...
- Rock? Onde? Se bem que o visual está legal, e o som também.
- Eles também são DJ's, pegam samples e misturam tudo, só que com essa batida TUM-TICH TUM-TICH TUM-TICH.
- Cala a boca! E me deixa dançar.

É, acho que entre altos e baixos, o Tim Festival deste domingo vai ser bem bacana.
Nos vemos lá!
E vote consciente.

Links:
site do Tim Festival 2006
Links das bandas:
site oficial do Daft Punk
site oficial do Mombojó
site oficial do Thievery Corporation
site oficial do TV On The Radio
site oficial do Yeah Yeah Yeahs

23 de outubro de 2006

Grandaddy e o Meu Provável Disco do Ano

Clic... Clic...

É o que se escuta no início de uma das músicas mais saborosas que já degustei. Now It's On é o nome da iguaria, ela é o prato de entrada do recheado álbum de 2003, Sumday, servido pelos chefs do Grandaddy, da modesta cidade de Modesto, Califórnia.

Algumas canções da banda, formada em 1992, colocam aquele sabor que falta a todos nós que sabemos a enorme diferença que existe em querer estar sozinho e se sentir solitário: se você gosta de relaxar, deitado ou dirigindo, de andar sem companhia, de olhar pela janela do ônibus e acompanhar a vida de todas aquelas pessoas passando numa velocidade qualquer, Grandaddy tem as canções com o tempero certo. Acho que é para isso que serve as bandas que tocam o denominado rock-folk espacial, e que cantam histórias sobre robôs melancólicos trabalhando numa noite escura em uma fábrica qualquer e sobre namoradas controladas por uma conservadora família.

Melodias fáceis de escutar e altamente assobiáveis: Doo Doo Doo Dit Doo é como a voz quase sussurrada de Jason Lytle inicia a canção The Group Who Couldn't Say, do álbum Sumday.

Infelizmente, para mim e tantos malucos que estão tentando entender o que estou escrevendo, o Grandaddy soltou, neste ano de 2006, seu canto do cisne. Chama-se Just Like The Fambly Cat, lançado em julho no Brasil pela Sum Records, e está alguns pontos de vantagem na frente dos concorrentes como melhor disco do ano. Canções como Jeez Louise, Summer... It's Gonne e Elevate Myself vão demorar para sair de meu cérebro, já que foram gravadas à ferro e fogo, sem dor alguma.

Mia Mia Mia Miau cantarola a voz tranquila de Jason Lytle em Where I'm Anymore.

Pode-se dizer que algumas das razões da banda resolver terminar foi o fato de que seus integrantes, avessos à mídia e em se expor, não estavam mais com o mesmo tesão de excursionar, a grana não entrando e suas músicas não tocando nos rádios não compensavam todo o stress. Simples assim.

I'll Never Return, nos diz Jason Lytle, numa voz quase apagada, na última canção do seu último disco com o Grandaddy.

Melhor assim, quem sabe, depois de um tempo com a banda já terminada, são descobertos e resolvem retornar em uma turnê caça-níquel que inclua o Brasil.
Seria perfeito!

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:grandaddy:
:myspace:
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video clipe de Elevate Myself

17 de outubro de 2006

Vamos Cantar : Plugin de Letras de Música

Escutando sua música favorita no computador, você sente uma vontade louca de cantá-la junto com aquele cantorzinho inglês cheio de sotaque. Em vez de você sair à procura da letra da música pela internet, que tal se a própria aparecesse no seu player favorito, sem nenhum esforço?
Bem bacana, hein?


Já é possível acabar com este trabalho chato de ir atrás das letras pela internet. Se você usa o Winamp ou o Windows Media Player para escutar sua músicas no computador, já existe um plugin gratuito que vai facilitar muito a sua nova vida de cantor: o Lyrics Plugin.

Lyrics PluginFácil de baixar e instalar, este pequeno programa mostra em instantes a letra da música que você está ouvindo, direto no player. Você vai precisar estar conectado na internet para que o plugin possa achar a letra da música que estiver tocando. Existe um menu de opções, logo abaixo da letra, onde é possível editá-la e configurar cores de fundo e de fonte. Caso a letra da música não estiver disponível, você mesmo poderá procurá-la clicando em Search Google no menu de opções : ao achar a letra em algum site, é só copiá-la, voltar para o menu de opções e clicar em Edit. Uma janela irá abrir para que você cole a letra copiada. Clique em Save Changes e... voila!

Estou usando o plugin para o Windows Media Player e por enquanto está tudo funcionando muito bem. Se alguém resolver instalar e estiver tendo problemas, dê um grito! Ou use o comentário para tentarmos resolver o problema... cantando!

Link:
Lyrics Plugin

10 de outubro de 2006

E viva as Blondes !

Chega a ser deprimente a maneira como os pais deste filho pródigo se comportam, se ausentam. Eles fingem preocupação, dizem que vão voltar um dia, que já estão preparando o leitinho com nescau mas demoram dias para colocar a mamadeira na panelinha com água quente. É um desastre, repito, um descabimento.
Enfim, um dos papais está de volta com um restinho de nescau na mamadeira já meio morna, trazendo mais uma dica musical para os nossos orfãos queridos.

Indies? Nós?Anotem o nome desta banda inglesa que está prestes a estourar: The Long Blondes.

As três garotas e os dois rapazes que formam a banda estão preparando o lançamento de seu disco de estréia, agora em Novembro, e não vai ser pouca coisa. Suas músicas, até então, podem ser escutadas em singles independentes lançados desde a formação da banda, lá longe, em 2005. Em 2006 assinaram com a Rough Trade Records, gravadora mãe da Inglaterra que pariu bandas seminais como The Fall e The Smiths e que apresentou ao mundo bandas queridinhas de hoje como The Strokes, Belle & Sebastian e The Libertines.

O Long Blondes acaba de lançar o single Once And Never Again, pela Rough Trade, preparando terreno para o álbum Someone To Drive You Home. O som das Long Blondes é feito para dançar e dançar e dançar. Já as letras são puro drama-de-saias, como diz a letra do single Weekend Without Make Up :
another weekend without makeup
another evening to myself
well, i guess that i won't be having the time of my life tonight
where do you go when you've finished work?
As letras melancólicas passam pela influência de bandas clássicas de garotas dos anos 60 como The Ronettes e The Shirelles. Já o som segue o rastro e a tendência de bandas como Franz Ferdinand e Kaiser Chiefs, é aquela batida que todo mundo já conheçe, a new-wave com pitadinhas eletrônicas dançante temperadas com um gostoso punk rock, como era o Blondie no seu início, vocais a lá The Slits, uma linha de baixo post-punk e por ai vai.

Abaixe Weekend Without Make Up pelo Soulseek (existe outro programa pra abaixar mp3 que presta?) e se imagine dançando na pista. Depois pergunte ao DJ de sua balada se ele conheçe Long Blondes. Se ele não conheçer, pobre diabo, fale para ele parar de tocar Strokes e que comece a ler urgente o Indigesto.

Links :
The Long Blondes
Rough Trade Records
Soulseek
video clipe da faixa Weekend Without Makeup:

25 de agosto de 2006

Cadê o Beastie Boys?

Finalmente, o line up do Tim Festival edição 2006 saiu. O festival vai seguir a mesma linha adotada desde o ano passado:versão cheia no Rio de Janeiro, mini em São Paulo e mais duas em Vitória e Curitiba. Cada lugar terá cast de bandas diferentes.

No Rio,dia 27 de outubro o palco TIM STAGE recebe o Daft Punk e no TIM LAB tocam Céu, Amandou & Marian,Devendra Banhart. Já no dia 28, têm Mombojó,Patti Smith,Yeah Yeah Yeahs no TIM STAGE e Bonde do Rolê,TV on the Radio,Thievery Corporation no TIM LAB.

Em São Paulo, teremos dia 29 de outubro, no Anhembi, a partir das 18 horas:
Mombojó
TV On The Radio
Thievery Corporation
Yeah Yeah Yeahs
Daft Punk


Sinceramente,mal conheço as 5 bandas. Ainda em São Paulo, acontecerão outros shows no auditório Ibirapuera, são apresentações assim mais rebuscadas (acredito).

Em Vitória,nos dias 27,28 e 29 de outubro a maioria dos shows serão de jazz. E em Curitiba - seria para consolar os paraenses pelo cancelamento do finado Curitiba Rock Festival que antes mesmo de renascer como Sonora Festival morreu??- a Pedreira Paulo Leminski,dia 31 de outubro receberá bandas pop apenas:
Nação Zumbi
DJ Shadow
Patti Smith
Yeah, Yeah, Yeahs
Beastie Boys


A pergunta que não cala é:por que raios o Beastie Boys não está entre as apresentações de São Paulo? Será que paranaenses e cariocas - com todo respeito - curtem mais Beastie Boys do que paulistas metidos a besta como eu?
Saudades da segunda edição do Tim Festival que presenteou São Paulo com a versão integral do festival,no Jockey Club,em 2004:estrutura boa,line up completo, som perfeito.

28 de julho de 2006

Are you ready???

Popload: A Popload conseguiu arrancar na Inglaterra as datas dos três shows que o grande New Order vai fazer no Brasil. São duas apresentações em SP e uma no Rio. Anota aí:- 13 e 14 de novembro, no Via Funchal (ou Credicard Hall), em São Paulo- 16 de novembro, Fundição Progresso, no Rio de Janeiro

Eu: Só acredito quando os ingressos começarem a ser vendidos...

...E começaram,ontem, meio de sopetão.As apresentações, na Via Funchal,acontecerão mesmo nos dias 13 e 14 de novembro.É a primeira vez que vejo ingressos sendo vendidos com tanta antecedência,quase quatro meses. Será que nisso estamos nos aproximando dos europeus? - acho difícil.
Pelo que vi ontem, quem tiver a fim de ver este show é bom correr,pelo menos quem quiser garantir a meia entrada.A fila estava grande, andando à passos de tartaruga e crescendo o que não estava irritante pelas conversas com duas pessoas: uma japa divertida de pouco mais de 20 anos que viu o Radiohead, no Japão, e uma mulher de mais de 40 que já viu, entre outros, David Bowie no Parque Antártica,há mais ou menos 15 anos. Inclusive esta foi a fila para ingresso de show mais interessante que já vi: crianças acima de 25 anos para não dizer acima de 30,no geral, e uma boa parte engravatada ou munida de terninhos e escarpins.
Depois de 18 anos, desde a primeira vinda ao Brasil e da novela da negociação -que vem rolando há uns dois anos- sobre o retorno a um dos nossos festivais, finalmente, alguns matarão a saudade e outros a vontade de ver essa banda histórica remanescente de outra tão histórica quanto: o Joy Division.
O New Order fez com classe o casamento do rock com as batidas eletrônicas dançantes -que resultou em nove discos e duas coletâneas- contando-se, principalmente, do Power, Corruption & Lies quando cordão umbilical musical que o ligava ao Joy Division foi cortado. É desta época a clássica Blue Monday, o single mais vendido na Inglaterra até hoje.
Daí para frente vieram coisas ótimas como Low-life,Technique, Republic e o penúltimo e ótimo Get Ready que trouxe a banda devolta depois de um hiato de 8 anos.
Bom, agora é sério, a balela acabou: o ingresso está na minha frente e sim, o New Order vem tocar de verdade e isso é mais eficaz do que um beliscão! Daqui até 14 de novembro todas as minhas segundas-feiras serão azuis!

24 de julho de 2006

Eu, Você e Todos Nós

Eu Você e Todos Nós, o Poster!Um filme sobre a solidão está passando atualmente nos cinemas. Ele se chama Eu, Você e Todos Nós (Me and You and Everyone We Know). Solidão, Sexualidade, relacionamentos, curiosidades, manias, traumas e como tudo acaba se envolvendo.

Duas amigas adolescentes provocam e alimentam a fantasia sexual de um cara por volta de seus 30 anos. Um garoto de 14 anos conversa com uma desconhecida em um chat na internet sobre sexo enquanto o irmão de 6 anos observa, atento, aprendendo, também no anseio de participar. E participa. Um senhor descobre, depois de conviver a vida toda com uma mulher que não amava, quem é a mulher da sua vida: uma senhora doente, em seus últimos dias de vida. Uma artista plástica, com um machucado no pé causado pelos sapatos antigos, se apaixona por um vendedor de sapatos que lhe diz, enquanto lhe vende um novo par : "As pessoas pensam que dores no pé são um fato da vida, mas a vida é muito melhor que isso. (...) Sua vida pode ser bem melhor. Começando agora."

A atriz que interpreta a artista plástica é Miranda July, também diretora e escritora do filme, estreando no cinema. Miranda coloca pessoas que vivem em um mesmo bairro, em uma mesma comunidade, onde todas se conhecem e, ao mesmo tempo, todas são autênticas almas solitárias que desenvolvem manias estranhas, que tentam superar divórcios e ao mesmo tempo se dar bem com seus filhos, almas que tentam se relacionar de alguma forma, seja através da descoberta sexual de duas adolescentes, seja na curiosidade de um garoto de 6 anos, seja na forma de adiar o máximo possível a morte inevitável de um peixinho dourado. Algumas cenas podem fazer você rir ou ficar chocado, e quando você espera que já é o suficiente, Miranda chega às vias de fato, mas chega de uma forma sutil, sem exageros, com humor e melancolia.

A trilha sonora é ótima, uma mistura de lounge, um som eletrônico mais calmo, com um tempero folk. As músicas se encaixam muito bem nas cenas, sabem ser notadas. Mas a música que mais marcou foi a belíssima Any Way that You Want Me do Spiritualized, fazendo com que a cena fique ainda mais memorável.